sexta-feira, maio 15
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No Barradão, o Flamengo viveu uma noite que NÃO É para esquecer (ao contrário do que diz o clichê). Diante de um Vitória exposto, mas sobrando na vontade, o Mais Querido foi 100% estéril, como gosta de dizer Leonardo Jardim.

Foi assim quando ele rebateu declarações sobre ter a posse por muito tempo, mas com nenhuma finalidade (no melhor estilo Filipe Luís, com todo respeito ao ídolo). “Posse de bola estéril”, chamou. Exatamente como foi no jogo desta quinta-feira (14)! O Flamengo teve 74% de posse e, tão grande quanto a porcentagem, esteve sua ineficácia.

Ineficácia essa que, sozinha, não explica a derrota. Mas junta a outros problemas, relembra um passado recente que nenhum rubro-negro quer reviver: de um Flamengo dos chuveirinhos, dos gols perdidos, do “Deus nos acuda” na bola aérea e de uma marcação alérgica.

Coluna: A ditadura dos números vazios: o Flamengo que morreu abraçado aos 74% de posse

Desorganização defensiva

O Vitória pouco chegou. Finalizou cinco vezes, sendo quatro no gol. Abriu o placar em um chutaço do Erick, que já havia feito um golaço na ida. Rossi só ficou olhando, a marcação também. O atacante dominou, carregou para dentro e soltou um balaço sem a mínima dificuldade.

Uma defesa alérgica, que parecia não poder encostar no cara com a bola, lembrando problemas defensivos vistos sob tutela de Sampaoli.

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No melhor estilo Tite, fez 30 cruzamentos na área. De todos os lugares: linha de fundo, intermediária… Somente dez (!!!) foram certos, vários deles culminando em finalizações em cima do goleiro Lucas Arcanjo ou sem direção.

O número, pasmem, são IDÊNTICOS aos da eliminação do Flamengo contra o Peñarol na Libertadores 2023. Jogo que culminou na demissão do Adenor.

Os chuveirinhos foram fruto de um time sem repertório ofensivo. O que, verdade seja dita, em nada tem a ver com o trabalho de Jardim, que melhorou muito esse aspecto. Mas acende o alerta para um padrão que se repete diante das dificuldades criativas, mas que deve ser evitado.

Os piores dos problemas

Se os três problemas anteriores lembram muito aspectos negativos dos trabalhos dos três treinadores anteriores, os últimos dois não tem só um “dono”. É antigo, recorrente e problemático.

Na defesa, o velho problema da bola aérea. O segundo gol do Vitória veio assim, com uma bola alçada no miolo, assim como foi o gol de Robert Renan, do Vasco. Dessa vez, porém, Rossi interveio com seu bracinho de jacaré (outro problema insuportável), largando a bola no pé de Luan Cândido.

CINCO dos 13 gols sofridos pelo Flamengo de Jardim vieram de bolas cruzadas na área. Um problema que ele mesmo admite, mas que, no clube, é velho. Foi amenizado com Rodrigo Caio, que pediu demissão após a saída de Filipe Luís. Mas nunca deixou de ser um calo, mesmo em defesas muito bem armadas.

E tal qual o problema da bola aérea defensiva, está a falta de precisão ofensiva. Desde Jorge Jesus o time não consegue ser eficaz como deveria na frente do gol. Em muitos jogos cria quantidade suficiente para golear, mas não o faz.

Como dito: um velho problema, aparentemente sem solução.

A grande diferença

Tem, porém, uma grande diferença entre Leonardo Jardim e os treinadores anteriores. Ele não mede palavras para expor os problemas. Enquanto um maquiava com um tatiquês chato e o outro ficava com discurso de “também tem o mérito adversário” e “o adversário também joga e tem suas qualidades”, o português admite que há falhas.

Jardim demonstra incômodo com a ineficácia ofensiva sem precisar ficar contrapondo com “pelo menos criamos”. Critica o problema da bola aérea sem precisar se isentar de culpa.

Talvez esteja nessa atitude a chance de mudança. E que ela seja para logo. Pois nenhum rubro-negro aguenta mais esses problemas recorrentes.


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Jornalista e Analista SEO | 10 anos na equipe que hoje produz o Jornal do Fla | Baiano e, acima de tudo, RUBRO-NEGRO!

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