
No futebol, os números costumam ser testemunhas confiáveis, mas às vezes eles aceitam o papel de cúmplices de uma grande mentira. No Barradão, o Flamengo de Leonardo Jardim resolveu desfilar com 74% de posse de bola e 26 finalizações. Uma armadura numérica que, no papel, deveria intimidar. Na grama, foi um espetáculo de impotência.
O início seguiu o clássico roteiro de terror das eliminações recentes. Com um gol sofrido logo aos sete minutos, o time ficou atônito e permitiu que o Vitória entregasse o campo como quem prepara uma armadilha. O Flamengo aceitou o convite e passou a circular a área com uma paciência irritante.
Sem Arrascaeta, o Rubro-Negro perdeu a capacidade de enxergar o óbvio. Foram 11 finalizações só no primeiro tempo, mas enquanto o placar de chutes indicava um massacre, o marcador real apontava a vantagem baiana.
O “amasso” rubro-negro foi um leão sem dentes, que trocou 251 passes certos em 45 minutos para produzir apenas quatro chutes no alvo, todos defendidos por um Lucas Arcanjo. Mas não se engane, o goleiro rival não precisou de milagres para impedir os tentos rubro-negros.
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Flamengo levou a pólvora ao Barradão, mas esqueceu o fósforo
No segundo tempo, o cenário de domínio estéril piorou. O Vitória, ciente da inofensividade rubro-negra, recuou suas linhas para meros 19% de posse de bola. O Flamengo teve 81% do tempo com a bola nos pés. E o que fez com isso? Absolutamente nada.
O segundo gol baiano foi o atestado de óbito da criatividade e um castigo pela falta de rigor defensivo. O lance expôs novamente a insegurança de Rossi nas bolas aéreas, falha que o próprio Jardim lamentou na coletiva. Dali em diante, com o emocional abalado e o placar adverso, o Flamengo apelou para o último recurso dos desesperados: o chuveirinho.
Foram 34 cruzamentos ao longo do jogo (20 no segundo tempo). Uma média de um levantamento a cada três minutos. A precisão? Muito abaixo do que deveria. Apenas 29% de acerto nas bolas alçadas e poucas finalizações fracas que acertaram a direção gol.
A estratégia virou um “Deus nos acuda” tático onde até Léo Pereira terminou a partida como centroavante. Pedro era mais um desses dentro da área, assistindo às bolas passarem sistematicamente acima de sua cabeça sem que nenhuma chegasse na direção correta.
A única que sobrou nos seus pés, o Camisa 9 finalizou fraco, como quem tinha a certeza do gol e acabou errando por excesso de confiança. O Flamengo na noite desta quinta-feira (14) estava com a fórmula da pólvora, mas esqueceu o fósforo no Rio de Janeiro.
O time controla o jogo, empilha 513 passes contra apenas 141 do adversário, mas morre abraçado à própria incapacidade de ser fatal e seguro. A eliminação inédita custa R$ 3,6 milhões e muita paz, provando que, no futebol, de nada serve ter os dados a seu favor se falta o básico: o gol lá na frente e o rigor na defesa.
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