O Flamengo e o atacante Wallace Yan registram um contraste estatístico severo no aproveitamento da base. Enquanto o CIES aponta o jovem como um dos mais eficientes do país, os dados confirmam que ele é o menos utilizado entre os destaques do ranking nacional.
A presença de Wallace Yan na lista de jovens mais eficientes do Brasil é sustentada por oito áreas técnicas de desempenho: drible, criação de chances, finalização, organização, construção, recuperação de bola, defesa aérea e defesa terrestre. O atacante atingiu o índice 71.8.
Nesse modelo, cada ação recebe um peso baseado na probabilidade de gerar um gol ou superar linhas defensivas. Mesmo com amostragem reduzida pelo pouco tempo em campo, a produtividade por minuto de Wallace o coloca entre os 20 melhores do Brasil.
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O CIES classifica o perfil de Wallace Yan como “Air Attack” (Ataque Aéreo), uma característica específica e rara para atletas de sua idade. Os dados comprovam que o jovem possui uma dominância física e técnica incomum em duelos aéreos.
O que torna o caso de Wallace Yan especial em comparação aos outros nomes da lista é que o atacante atingiu esse nível de elite com apenas 272 minutos em campo nos últimos seis meses. Ele é, de longe, o jogador com a menor minutagem entre todos os 20 destaques do ranking do CIES no Brasil.
Os 20 sub-23 mais eficientes do Brasil, segundo o estudo do CIES:
- Vítor Roque (Palmeiras): 21.1 anos | Index 84.1 | 910 min | Melhor área: Finalização
- Robert Renan (Vasco): 22.5 anos | Index 79.2 | 1.792 min | Melhor área: Construção
- Allan Andrade (Palmeiras): 22.0 anos | Index 78.0 | 1.198 min | Melhor área: Finalização
- Álvaro Montoro (Botafogo): 19.0 anos | Index 76.5 | 753 min | Melhor área: Organização
- Breno Bidon (Corinthians): 21.1 anos | Index 76.0 | 1.172 min | Melhor área: Organização
- Viery Fernandes (Grêmio): 21.3 anos | Index 75.6 | 648 min | Melhor área: Construção
- Agustín Giay (Palmeiras): 22.2 anos | Index 75.3 | 919 min | Melhor área: Organização
- Victor Gabriel (Internacional): 21.9 anos | Index 75.3 | 884 min | Melhor área: Defesa aérea
- Román Gómez (Bahia): 21.7 anos | Index 74.8 | 928 min | Melhor área: Defesa terrestre
- Matheus Martins (Botafogo): 22.7 anos | Index 73.8 | 481 min | Melhor área: Drible
- Maik Gomes (São Paulo): 21.3 anos | Index 73.8 | 773 min | Melhor área: Defesa terrestre
- Lucas Ronier (Coritiba): 21.4 anos | Index 73.5 | 1.194 min | Melhor área: Drible
- Victor Hugo (Atlético-MG): 21.9 anos | Index 73.3 | 1.167 min | Melhor área: Ataque aéreo
- Jefté da Silva (Palmeiras): 22.3 anos | Index 73.1 | 743 min | Melhor área: Defesa aérea
- Ignacio Sosa (Bragantino): 22.6 anos | Index 72.9 | 766 min | Melhor área: Organização
- Jordan Barrera (Botafogo): 20.0 anos | Index 72.9 | 554 min | Melhor área: Defesa aérea
- João Pedro (Corinthians): 22.3 anos | Index 72.7 | 990 min | Melhor área: Construção
- Keny Arroyo (Cruzeiro): 20.1 anos | Index 72.3 | 953 min | Melhor área: Finalização
- Mateo Ponte (Botafogo): 22.9 anos | Index 72.3 | 512 min | Melhor área: Construção
- WALLACE YAN (FLAMENGO): 21.2 anos | Index 71.8 | 272 min | Melhor área: Ataque aéreo
Preferência por jogadores prontos e a base sufocada
Dados consolidados pelo CIES nos últimos cinco anos revelam que a baixa utilização de Wallace Yan não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia de elenco que privilegia atletas experientes em detrimento da base.
O Flamengo apresenta um dos maiores índices de dependência de jogadores “prontos” do futebol brasileiro. Enquanto clubes como o Palmeiras mantêm uma oxigenação constante, o Rubro-Negro concentra a maior parte de sua minutagem na faixa etária de 25 a 28 anos (41,4%) e em atletas acima de 29 anos (39,1%).
Esse cenário cria um funil que impede que jovens com métricas de elite consigam sequência no time profissional. A tabela abaixo detalha como cada clube distribui o tempo de jogo entre as diferentes faixas etárias desde janeiro de 2021:
| Clube | % Minutos U21 | % 21-24 | % 25-28 | % 29+ | U21 Escalações |
| Santos | 13.4% | 17.8% | 34.4% | 34.5% | 33 |
| Vasco da Gama | 12.8% | 22.9% | 28.4% | 35.9% | 32 |
| Coritiba | 11.5% | 23.3% | 20.9% | 44.3% | 33 |
| Palmeiras | 11.5% | 20.6% | 33.2% | 34.7% | 39 |
| Athletico | 11.4% | 39.1% | 23.9% | 25.6% | 34 |
| Fluminense | 10.3% | 19.2% | 23.0% | 47.5% | 27 |
| Internacional | 10.2% | 20.2% | 27.6% | 41.9% | 35 |
| RB Bragantino | 9.3% | 45.4% | 29.6% | 15.7% | 36 |
| Corinthians | 9.2% | 27.0% | 25.1% | 38.7% | 27 |
| Flamengo | 7.5% | 11.9% | 41.4% | 39.1% | 39 |
| Cruzeiro | 7.2% | 19.2% | 29.5% | 44.2% | 40 |
| Grêmio | 6.9% | 23.5% | 27.8% | 41.8% | 34 |
| São Paulo | 6.7% | 24.9% | 23.7% | 44.7% | 29 |
| Botafogo | 5.6% | 26.9% | 27.5% | 40.0% | 30 |
| Vitória | 4.2% | 30.0% | 35.0% | 30.8% | 21 |
| Bahia | 3.0% | 26.5% | 36.5% | 34.0% | 24 |
| Chapecoense | 3.0% | 24.1% | 36.7% | 36.3% | 20 |
| Atlético-MG | 2.9% | 20.9% | 28.6% | 47.6% | 21 |
| Mirassol | 2.5% | 15.4% | 35.1% | 47.0% | 14 |
Esses dados contribuem para debate que ganhou força a partir da possível saída de Ryan Roberto: o Flamengo subaproveita os talentos da base? Muitos torcedores entendem que o clube deveria dar mais espaço para atletas jovens, enquanto outros defendem o modelo que rendeu títulos nas últimas temporadas.
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