O dia 28 de outubro tem um significado especial para a torcida do Flamengo. Além de celebrar São Judas Tadeu, conhecido como o santo das causas impossíveis, a data também marca o Dia do Flamenguista no calendário oficial do Rio de Janeiro. A relação entre o padroeiro e o Rubro-Negro, no entanto, começou décadas antes de a comemoração ser oficializada.
A história teve início nos anos 1950, quando o Flamengo atravessava um período de nove anos sem conquistar o Campeonato Carioca. O último título estadual havia sido em 1944, e o clube buscava encerrar o jejum que incomodava a torcida.
Na época, o presidente Gilberto Cardoso e o dirigente Fadel Fadel procuraram a Igreja de São Judas Tadeu, no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A iniciativa aproximou o clube do padre Góes, pároco do local e torcedor rubro-negro.
O religioso foi convidado a celebrar uma missa na sede da Gávea para o elenco comandado pelo técnico paraguaio Fleitas Solich. Durante a cerimônia, padre Góes incentivou os jogadores a acender velas e manter a fé na busca pelo título estadual.
A promessa de dias melhores ganhou força nos anos seguintes. O Flamengo conquistou o Campeonato Carioca em 1953, voltou a levantar a taça em 1954 e completou o tricampeonato consecutivo em 1955. A sequência consolidou a devoção a São Judas Tadeu entre os rubro-negros.
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Imagem de São Judas Tadeu chegou à Gávea em 1957
A relação entre o santo e o Flamengo não terminou com as conquistas estaduais. Em dezembro de 1957, o clube oficializou a devoção com a entronização de uma imagem de São Judas Tadeu na sede social da Gávea, em uma cerimônia conduzida pelo padre Góes.
Com o passar dos anos, a tradição também chegou ao vestiário rubro-negro. A imagem do santo passou a acompanhar a preparação da equipe em partidas importantes, reforçando a ligação entre fé e futebol na cultura do clube.
A história ganhou um de seus capítulos mais marcantes na decisão do Campeonato Carioca de 2001, contra o Vasco. O Flamengo precisava vencer por dois gols de diferença para conquistar o título, em uma final que ficou eternizada na memória da torcida.
Durante a transmissão da partida, o radialista Washington Rodrigues, o Apolinho, anunciou: “E acaba de chegar São Judas Tadeu!”. Pouco depois, aos 43 minutos do segundo tempo, Petkovic marcou um gol de falta e garantiu a conquista rubro-negra.
A narração virou uma das frases mais famosas da história do Flamengo e fortaleceu ainda mais a associação popular entre São Judas Tadeu e os momentos decisivos do clube. A homenagem também está presente no muro da sede da Gávea, que recebeu pinturas comemorativas pelos 130 anos do Rubro-Negro.

Dia de São Judas Tadeu também é o Dia do Flamenguista
A devoção ganhou espaço também no calendário oficial da cidade. Em 2007, uma lei municipal instituiu o dia 28 de outubro como o Dia do Flamenguista, data que coincide com a celebração de São Judas Tadeu pela Igreja Católica.
A coincidência entre as comemorações reforça uma tradição que atravessa gerações. Em momentos importantes da temporada, torcedores recorrem à igreja no Cosme Velho para demonstrar sua fé e pedir proteção para o time.
Mas a ligação com o Flamengo é apenas uma parte da história de São Judas Tadeu. A devoção ao apóstolo existe há séculos na tradição cristã, especialmente entre pessoas que buscam auxílio em situações consideradas difíceis ou sem solução.
Quem foi São Judas Tadeu?
São Judas Tadeu foi um dos 12 apóstolos escolhidos por Jesus Cristo, segundo os Evangelhos.
Uma das principais confusões envolvendo o santo é a associação com Judas Iscariotes, o apóstolo que, de acordo com a narrativa bíblica, traiu Jesus. São Judas Tadeu e Judas Iscariotes são pessoas diferentes.
O nome Tadeu aparece justamente como uma forma de distinguir o apóstolo do traidor. Nos Evangelhos, ele também é identificado como Judas de Tiago e Judas, não o Iscariotes. A tradição cristã o reconhece como um dos seguidores de Jesus que ajudaram a difundir a mensagem cristã.
Santo das causas impossíveis
A fama de São Judas Tadeu como intercessor das causas difíceis e impossíveis está ligada à tradição católica. Segundo relatos sobre sua devoção, a associação ganhou força a partir da história de Santa Gertrudes, religiosa alemã que teria recebido de Jesus a orientação de confiar ao apóstolo os casos mais desesperados.
Ao longo dos séculos, fiéis passaram a recorrer ao santo em situações adversas, especialmente quando acreditavam não haver uma solução evidente para seus problemas. A devoção se espalhou por diferentes países e se consolidou entre católicos.

No Brasil, São Judas Tadeu ganhou popularidade também pela ligação com o Flamengo. O tricampeonato carioca dos anos 1950 e o gol de Petkovic em 2001 ajudaram a transformar a devoção em parte da identidade rubro-negra.
Para a Nação, portanto, o dia 28 de outubro reúne duas tradições que caminham juntas há décadas: a celebração do santo das causas impossíveis e o orgulho de ser flamenguista. Uma relação que começou em busca de um título estadual e acabou incorporada à história e à cultura do clube.
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