Flamengo e Vasco se enfrentam neste domingo (3) e um tabu incrível está em jogo: o 15º jogo de invencibilidade rubro-negra contra o rival no Brasileirão. O jogo que abriu a sequência ocorreu em 2017 e teve Éverton Cardoso como autor do gol.
Quase 9 anos depois, Éverton ainda lembra daquela partida. Não muito fã de entrevistas, ele falou ao Jornal do Fla e relembrou a vitória com um gol improvável.
“O Vasco tinha um grande time, com o Nenê, que era o camisa 10, o Luis Fabiano no ataque. E gostei de acabar fazendo um gol da maneira que foi, uma jogada de craque do Everton Ribeiro e eu pude fazer um gol de cabeça, que não é minha especialidade. Então foi um clássico muito especial, inesquecível pra minha carreira. Até hoje os torcedores lembram e ficou muito marcado.”
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As dificuldades na partida começaram desde antes da bola rolar, até depois da vitória confirmada.
“Esse Flamengo e Vasco de 2017 foi muito especial, porque jogar em São Januário sempre foi muito difícil. E foi uma tremenda guerra pra chegar no estádio, deixaram a gente sem água, todas aquelas catimbas que eles usavam. Lembro também que foi muito difícil sair do estádio. Deu uma tremenda confusão de bombas e tudo mais, mas com certeza foi um clássico que vai ficar marcado para a história”, lembrou Éverton.
Desde aquela vitória, o Flamengo embalou contra o Vasco. Até a partida deste domingo, são sete vitórias e sete empates. Um rendimento histórico que começou em um cenário no qual o Rubro-Negro vivia a sua reestruturação financeira.
Éverton Cardoso viveu de dentro a reestruturação do Flamengo
Éverton teve duas passagens pelo Flamengo. A primeira, quando fez parte do elenco hexacampeão brasileiro em 2009. A segunda entre 2014 e 2018, quando a situação financeira do clube vivia uma metamorfose.
O ex-camisa 22 lembra as duas fases.
“Eu peguei duas fases do Flamengo, em 2008 e 2009, e depois em 2014 a 2018. Na primeira passagem foi um pouquinho difícil, tinha bastante atraso de salário, a gente treinava na Gávea. Em 2014 eu peguei o comecinho ali do Ninho do Urubu, a estrutura não era ainda a melhor, mas a diretoria sempre muito séria, cumpria com pagamentos em dia, nunca tinha atrasos.”
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Para Éverton Cardoso, essa seriedade e transparência com as quais a gestão lidava foi fundamental para a revolução do clube.
“A seriedade que a diretoria sempre nos tratou fazia a gente entender que aquele momento difícil era uma coisa momentânea, que fazia parte de um projeto maior. Essa trajetória do Flamengo que eles construíram foi passo a passo, não foi de uma hora para outra. Teve ali quatro ou cinco anos que eles trabalharam muito pra transformar esse Flamengo no que está hoje.”
De migalha em migalha, o Flamengo se tornou a maior e mais rica equipe do continente. Esse sucesso, porém, Éverton não viveu. Isso porque em 2018, um ano antes do ano mágico, ele decidiu ir para o São Paulo.
Mudança sem arrependimentos e a declaração que virou meme
Éverton conta que não era do interesse dele deixar o Flamengo naquela altura. Porém, o São Paulo ofereceu um contrato que o Rubro-Negro não conseguia superar e a transferência aconteceu.
“Eu tive muitas outras propostas antes dessa saída do Flamengo, mas o Rodrigo Caetano (diretor na época) nunca me liberava. Depois da saída do Rodrigo, surgiu a proposta do São Paulo, o Flamengo disse que não conseguiria superar a proposta e me desejou boa sorte. Então eu segui meu caminho.”
Naquele cenário, o São Paulo ainda era uma grande referência no cenário nacional. Em sua apresentação, Éverton soltou uma declaração que viraria meme: “Vim para um time que vai brigar por títulos”.
Depois disso, a gangorra mudou. O Flamengo subiu, o São Paulo desceu. Mesmo assim, o ex-jogador afirma não se arrepender nem da decisão, nem da declaração.
“Não tenho arrependimento de nada na minha carreira. Sem nenhum ressentimento. São coisas dos bastidores do futebol. Naquele momento acho que foi a escolha que não foi só minha, foi do Flamengo também. E sobre a minha declaração, acho que eu acabei sendo mal interpretado. Apenas elogiei o clube que eu estava chegando, um dos gigantes do mundo, tricampeão mundial. Eu não quis em nenhum momento desrespeitar o Flamengo. Jamais faria isso com um clube que me deu tantas coisas e eu tenho o máximo respeito e carinho.”
Sequência em outros clubes não mudou identificação com o Flamengo

Depois do São Paulo, Éverton Cardoso ainda passou por Grêmio, Cuiabá e Ponte Preta. Apesar da rodagem, ele afirma que é com o Flamengo que ele mais se identifica.
“Com certeza o Flamengo foi o clube que eu mais me identifiquei, até por tantos anos que eu joguei lá. Eu vivi de tudo, vivi fase boa, fase difícil. Jogar no Flamengo não é fácil, muito menos conseguir fazer mais de 260 jogos com essa camisa pesada, ainda mais num momento tão complicado que eu peguei o Flamengo, aquela parte de reconstrução. Então isso aí pra poucos e vai estar guardado no meu coração.”
Ao todo, Éverton fez 265 jogos, venceu 133 desses e anotou 39 gols. Ele conquistou o Brasileirão (2009) e o Carioca (2009, 2014 e 2017). O hexa em 2009 foi, inclusive, o grande momento da sua carreira.
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A honra de ter jogado com lendas
No Flamengo de 2009, Éverton tinha apenas 19 anos, vindo do Paraná. Importante para a campanha do Mais Querido, ele conviveu com grandes nomes e guarda os momentos no coração.
“Esse Flamengo de 2009 vai ficar no meu coração. Jogar com grandes jogadores foi inesquecível. Eu cheguei do Paraná Clube com 19 anos, pegando já numa estreia um Fla-Flu, e depois no ano seguinte, em 2009, chega o Adriano, o nosso Imperador. Jogar com Zé Roberto, com Pet foi maravilhoso, acho que são nomes marcantes.”
Ele lembra, também, do jogo do título, no qual voltava de lesão no tornozelo e afirma que aquele contexto fez diferença na sua carreira.
“Foi um prazer estar no clube nesse 2009, participar do jogo que deu o título, depois de estar voltando de uma fratura no pé, entrar no jogo num momento difícil. Com certeza isso me deu casca para a minha carreira e vai estar sempre no meu coração.”
2009 foi o grande título da carreira dele. Uma carreira que se encerrou em 2024.
Éverton confirma aposentadoria e revela planos para o futuro
Se alguém tinha dúvidas, Éverton confirmou a aposentadoria ao Jornal do Fla. Ele revelou ter tentado jogar pelo Paraná, mas as graves lesões na reta final da carreira o impediu.
“Eu tive uma lesão muito séria na Ponte Preta, no tornozelo, e depois eu fiz a cartilagem também, então acabou que ficou muito difícil a minha recuperação. Hoje eu estou com 38 anos e também fiz o tendão, então acabou que eu não consegui voltar a jogar. Eu tive algumas tentativas aqui de tentar recuperar, até tentar encerrar no Paraná Clube, clube que me revelou, mas eu não consegui.”
Os planos agora passam por acompanhar o filho, que joga na base no Paraná, e a filha que faz hipismo.
“No momento eu tenho ficado mais com a minha família, com meu filho, que está jogando no no sub-17 do Paraná Clube, tem minha filha também que faz hipismo, então acaba que tô vivendo mais pra eles.”
Mas não só. Éverton Cardoso conta que está estudando para seguir carreira no futebol. Contudo, no auge dos 37 anos, ele fala em fazer tudo com calma.
“Estou começando a estudar essa parte do futebol, de agenciar, a área de diretor de futebol. Estou fazendo tudo com calma. Acho que tive uma vivência grande no futebol brasileiro. Vivi de tudo, então com certeza a gente tem muito a acrescentar. O futebol está sempre na veia e vou fazer tudo com calma pra escolher os próximos desafios com a cabeça tranquila.”
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Expectativa do reencontro
Éverton carrega muitos amigos que ainda hoje são funcionários do Flamengo. Enquanto torce para o Mengão vencer o Vasco, ele anseia por outro jogo: o contra o Athletico-PR, no dia 17.
Isso porque a partida será em Curitiba, onde reside atualmente. Ele aguarda para poder visitar os velhos companheiros.
“No mês que vem o Flamengo vai jogar aqui em Curitiba contra o Atlético e eu pretendo ir lá no hotel dar um abraço na rapaziada, o pessoal do staff, que ainda é da minha época ainda, então eu quero ver se consigo ir lá ver o jogo e também dar um abraço neles.”
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