A recente lesão do lateral Wesley, revelado pelo Flamengo, no último amistoso da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, fez muita gente lembrar de outros cortes famosos antes da Copa começar. O Jornal do Fla reuniu alguns cortes marcantes de jogadores que fizeram história com a camisa do Flamengo.
As lágrimas e a polêmica de Romário em 98
Talvez o corte mais memorável e polêmico de todos os tempos tenha sido o do baixinho Romário na Copa de 1998, enquanto atuava pelo Flamengo. Poucos dias antes da estreia na Copa da França, foi constatado um estiramento na panturrilha direita de Romário.
O herói do tetra nos Estados Unidos em 94 disse em entrevista com Petkovic que, um dia antes do corte, já estava decidido que ele iria estar na Copa mesmo lesionado, voltando para o terceiro jogo da fase de grupos.
Mas o técnico Zagallo e o coordenador técnico da seleção, o Zico, entenderam que era melhor não arriscar e levaram o volante Emerson para compor o elenco que perderia a final para a anfitriã França. Pet chegou a dizer que se Romário estivesse na final o resultado seria diferente, caso ele substituísse Ronaldo, que se sentiu indisposto antes da decisão. Veja reportagem da época:
Mozer perdeu duas Copas do Mundo
Na mesma Copa em que Romário era tetra com a Seleção Brasileira, outro ídolo do Flamengo sofria um corte polêmico. O zagueiro Mozer, que já havia sido cortado da Copa de 1986.
Na Copa do México 86, Mozer foi convocado enquanto se recuperava de uma cirurgia no menisco do joelho direito, mas participava dos treinos com o resto da equipe de Telê Santana.
Na fase final dos treinos, o campeão mundial de 81 com o Flamengo acabou não suportando a carga de treinos, agravando a lesão, tendo que ser substituído pelo zagueiro do Bangu, Mauro Galvão.

Já durante a Copa de 94, os exames de Mozer mostraram um quadro de hepatite tóxica, o que impossibilitaria o jogador de disputar o mundial.
O zagueiro do Flamengo nunca aceitou esse corte, justificando na época que o quadro era causado pelo uso de remédios anti-inflamatórios para combater as dores que ele sentia no joelho. Mozer acabou sendo substituído por outro campeão com o Flamengo, o zagueiro Aldair, que fez história na seleção ao lado de Márcio Santos.
Mesmo décadas depois, Mozer admite sentir mágoas do corte, dizendo diversas vezes que foi excluído do grupo pela comissão técnica.
Lesão de Nunes deu espaço para Dinamite
Para fechar a lista de ídolos do Flamengo cortados para Copas do Mundo, o atacante Nunes foi cortado da Copa de 78, enquanto ainda jogava no Santa Cruz. Na época, chegou a dizer que o corte foi “precipitado”.

Anos antes de se tornar o Artilheiro das Decisões pelo Mengão, Nunes sofreu uma lesão muscular durante os treinamentos na Argentina. No seu lugar, o treinador Coutinho chamou o atacante do Vasco, Roberto Dinamite, que terminaria o mundial como artilheiro da seleção canarinho.
Veja mais: Wesley fora da Copa do Mundo impacta contas do Flamengo; entenda
Saidinha de Leandro e Renato Gaúcho em 86
Na Copa do Mundo de 1986 aconteceu uma das mais icônicas histórias da Seleção em Copas. O lateral Leandro e o ponta Renato Gaúcho saíram da concentração em um dia de folga para curtir a noite de Belo Horizonte. Telê era rígido, os jogadores deveriam chegar no máximo até às 23h.
Porém, a dupla de ídolos rubro-negros só foi sair da festança depois das 3h da manhã. Relata-se que Renato Gaúcho ficou com uma acompanhante enquanto Leandro passava mal na rua por conta da mistura de destilados e fermentados.

Na volta, o plano era pular o muro, porém Leandro tinha medo de altura e não tinha força pra pular, Renato decidiu então entrar junto com o lateral-direito pela porta da frente, conversaram com os seguranças e foram dormir.
No dia seguinte, Telê Santana já sabia de tudo. Leandro demonstrava remorso, não saía do quarto nem pra comer, enquanto Renato Gaúcho se mostrava indiferente.
A punição veio na convocação, meses depois do ocorrido: Renato Gaúcho havia sido cortado da Copa, se revoltou e disse que nunca mais vestiria a camisa da Seleção. Leandro, que havia sido convocado, se solidarizou pelo amigo e resolveu, no dia do embarque, desistir da Copa do Mundo.
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A história conta que Zico tentou de tudo para convencer o parceiro rubro-negro de participar do mundial, foi até a casa do companheiro multicampeão e chorou pedindo para o lateral mudar de ideia. Leandro foi relutante em negar, e nunca mais vestiu a camisa da Amarelinha.
Renato Gaúcho se transferiu para o Mengão no ano seguinte, sendo um dos ídolos do título brasileiro de 1987. O ponta ainda foi campeão da Copa América de 89 pelo Brasil e foi convocado para a Copa do Mundo de 1990, entrando apenas no jogo da eliminação contra a Argentina.
Jogadores do Flamengo também foram beneficiados
Além desses ídolos, outro jogador que jogou pelo Mais Querido foi o ponta-direita Rogério, campeão brasileiro pelo Botafogo e cortado para o Tricampeonato em 1970, sendo substituído pelo goleiro Emerson Leão. Rogério foi campeão carioca pelo Flamengo em 1972, permanecendo no clube entre 71 e 74.
Outros jogadores que vestiram o Manto Rubro-Negro também já se beneficiaram de cortes. O zagueiro Ronaldão, que jogou no Flamengo em 1996 foi um deles. Foi convocado para a Copa de 94, no lugar de Ricardo Gomes, que também viria a vestir o Manto, mas como técnico do Flamengo em 2004.
Outro zagueiro que foi chamado às pressas foi André Cruz, campeão inédito da Copa do Brasil de 1990 pelo Flamengo. Entrou na vaga deixada por Márcio Santos, lesionado pouco antes da Copa da França em 98, mas não chegou a vestir a camisa da seleção durante o torneio.
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