Nenhum jogador é perfeito. Mesmo o atacante mais decisivo vai eventualmente perder um gol, os maiores goleiros da história já tiveram suas noites de frangueiro, não existe zagueiro tão eficiente que não tenha eventualmente levado uma caneta. O que acaba fazendo a diferença na maneira como se debate ou se lembra um jogador é exatamente como foi esse gol perdido, em que jogo aconteceu esse frango, de quem foi que se tomou a caneta.
Se o atacante perde um gol fácil na mesma partida em que faz um gol difícil e decide o jogo, esse gol perdido jamais vai ser pauta de debate. O goleiro que franga numa rodada aleatória de um campeonato longo do qual o time sai campeão, vai ser lembrado é pelas defesas que realizou no mesmo torneio. O defensor que comete a falha de marcação num lance vadio de uma vitória tranquila, jamais vai ser julgado por isso.
O problema são as falhas totalmente injustificáveis, em situações absolutamente contornáveis, acontecendo durante partidas com baixíssima margem de manobra. Como foi com o gol sofrido pelo Flamengo no empate diante do São Paulo, neste domingo, pelo Brasileirão.
Leia do mesmo autor: As crianças já se divertiram. Agora é hora dos adultos reclamarem do Flamengo
Porque a equipe rubro-negra não jogou bem. A movimentação não funcionava, o ataque criava poucas oportunidades e a defesa fazia a parte dela proporcionando poucos mas periódicos sustos para o goleiro Rossi, chegando a gerar um gol da equipe tricolor, que foi anulado por impedimento.
E eis que a bola alta funciona. Cobrança de escanteio, cabeçadinha no primeiro pau, sobra no segundo para o desvio de Léo Pereira. Aquele famoso gol meio bizarro que ajuda a decidir um jogo complicado e no qual você se abraça pra garantir os três pontos. Não é bonito, não é o futebol enquanto espetáculo, mas quem quer ser campeão, ainda mais quando precisa tirar uma bela diferença em relação ao líder do torneio, tem que saber ganhar sempre, seja feio, seja bonito.
Mas pouco mais de dez minutos depois, o que faz o Flamengo? Toma o empate. Mas não o empate numa jogada de gênio, daquelas imparáveis, numa cobrança de falta, daquelas indefensáveis, num acidente de percurso, desses imponderáveis. Não, o Flamengo toma o gol de empate em uma jogada que é famosa por ser fácil de marcar, por ser recurso de lateral e ponta desesperado: o cruzamento da intermediária.
Porque não apenas a equipe rubro-negra deixa o zagueiro Osorio com níveis de liberdade e ausência de pressão que fascinariam qualquer roda de debate sobre relacionamentos não-mono, como também realiza a marcação dentro da área com um atraso tão grande que constrangeria até uma companhia aérea brasileira. O resultado? O empate tricolor, numa jogada que não deveria oferecer perigo algum para um time que briga por títulos nessa temporada.
O que veio depois foi a pura bagunça. Tivemos um possível pênalti não marcado, um gol justamente anulado mas por milímetros, e um Flamengo em situação de desespero tentando recuperar a vitória que ele mesmo havia jogado fora. Um cenário que só surgiu porque, num cruzamento da intermediária, Emerson Royal decidiu realizar uma marcação via bluetooth e Vitão acreditou que, se um atacante adversário é seu, você deve deixá-lo ir, porque se ele for realmente seu ele vai voltar. E ele voltou, comemorando o gol.
Então mais uma vez, fica claro que precisamos de mais. Uma rotação mais alta, uma atenção maior em todos os aspectos, uma postura de time que realmente quer buscar o título brasileiro e não apenas ficar tocando a bola até que o título caia no colo. O Flamengo exige mais, o contexto pede mais e, para nossa irritação, é visível que esse time pode muito mais. É hora de demonstrar.
Fique por dentro de tudo no seu WhatsApp! 📲 Quer receber as notícias do Mengão em primeira mão, direto no seu celular? Entre agora no canal oficial do Jornal do Fla no WhatsApp e não perca nenhum detalhe sobre o nosso Mais Querido.
👉 CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NO CANAL

