O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, voltou ao centro do debate sobre o futuro do futebol brasileiro ao criticar acordos recentes entre clubes e investidores. Durante participação em evento em Campinas, o dirigente utilizou o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco como exemplo para defender mais transparência e regras claras na possível criação de uma liga única no país.
A fala de Bap rapidamente ganhou repercussão por tocar em temas sensíveis como SAF, propriedade cruzada e governança no futebol nacional.
Bap explica posição do Flamengo sobre liga e levanta alerta
Ao abordar a criação de uma liga no Brasil, Bap fez questão de deixar claro que o Flamengo não é contra o projeto, pelo contrário. Segundo ele, a organização pode potencializar receitas e elevar o nível do futebol brasileiro, mas precisa ser construída com bases sólidas.
Para ilustrar seu ponto, o dirigente utilizou uma metáfora direta:
“Flamengo sempre foi a favor de uma liga nacional. Isso é bom que seja dito para todo mundo. O que acontece é que, quando você vai se juntar com alguém, quando vai casar, vou criar uma metáfora aqui para todo mundo entender, o casamento na comunhão parcial de bens funciona assim: o que você tem é seu, o que você vai construir de novo vai ser dividido de igual maneira.”
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A comparação deixa evidente a preocupação do clube com possíveis interferências em patrimônios já consolidados. Bap reforça que o Flamengo não aceita modelos que possam comprometer sua estrutura ou receitas atuais.
Bap cita caso Vasco e faz crítica direta ao modelo
O ponto mais contundente da fala de Bap veio quando o dirigente citou diretamente o acordo entre Vasco e Crefisa. Para ele, o modelo levanta dúvidas importantes sobre controle e influência no futebol brasileiro.
“Vamos falar, por exemplo, especificamente do caso de Palmeiras e Vasco. No mundo inteiro você tem legislações que não pode o mesmo dono ter dois clubes.”
O presidente rubro-negro questionou, principalmente, as garantias envolvidas na operação financeira, sugerindo que esse tipo de acordo pode abrir brechas perigosas.
“Qual instituição financeira vai emprestar dinheiro para vocês e pedir como garantia o título da sua dívida? Quem faria isso? Só quem quiser tomar conta da sua casa.”
Na visão de Bap, esse tipo de negociação pode indicar interesses além do simples apoio financeiro, o que reforça a necessidade de regras mais rígidas no futebol nacional.
Transparência é prioridade para Bap na criação da liga
Mesmo com críticas, Bap reforçou que o Flamengo segue favorável à criação de uma liga, desde que haja clareza total nos processos.
“Quando falamos de Liga no Brasil, a Liga tem que existir em cima de propósitos, princípios e valores transparentes para todo mundo.”
A declaração mostra que o debate não é sobre ser contra ou a favor, mas sim sobre como o modelo será implementado. Para o dirigente, decisões mal estruturadas podem comprometer o futuro do futebol brasileiro.
Bap também critica modelo de SAF e alerta para riscos
Outro ponto abordado por Bap foi o crescimento das SAFs no Brasil. Embora reconheça a importância do modelo, ele fez ressalvas importantes, citando o caso do Botafogo como exemplo de alerta.
“SAF é válido, importante, mas tem que ter limites e obrigações em contrapartida. Não pode dar um crédito, não cumprir com nada e sair ileso com isso. Temos exemplos que estão indo bem, como o Bragantino, o Bahia.”
O dirigente demonstrou preocupação com o aumento de dívidas mesmo após a implementação do modelo, indicando que nem todos os projetos têm funcionado como esperado.
Por outro lado, ele também reconheceu casos positivos, mostrando que não há rejeição ao modelo, mas sim uma cobrança por responsabilidade.
Bap reforça posição contra gramados sintéticos
Além das questões estruturais, Bap aproveitou para reafirmar a posição do Flamengo sobre gramados sintéticos, tema que vem gerando debate no futebol brasileiro.
“O Flamengo entende que futebol de alto nível, e basta você ver as cinco maiores liugas do mundo, onde você tem campo de plástico? ai montar uma Liga no Brasil para ficar maior, mais lucrativa e com campo de plástico? É brincadeira isso.”
A crítica vai além da questão técnica e envolve também o modelo de negócios. Segundo o dirigente, a adoção desse tipo de gramado muitas vezes está ligada à exploração comercial dos estádios.
“Quem quer ganhar dinheiro com show, tem que mudar de segmento.”
Bap também se posiciona sobre carga tributária no esporte
Por fim, Bap abordou a questão tributária, demonstrando preocupação com possíveis mudanças que podem impactar clubes associativos.
“O esporte nacional tem vivido de algumas esmolas. Vou dar os termos claros. Agora estão querendo tirar a esmola da gente achando que isso vai pagar a dívida. Sabe o que vai acontecer? Vai acabar com o esporte nacional.”
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O dirigente criticou o aumento de impostos e alertou para os efeitos negativos que isso pode trazer ao desenvolvimento esportivo no Brasil.
Segundo ele, retirar recursos do esporte não resolve problemas fiscais do país e pode gerar consequências ainda mais graves a longo prazo.
O impacto das declarações de Bap
As falas de Luiz Eduardo Baptista reforçam o posicionamento do Flamengo como um dos protagonistas nos debates estruturais do futebol brasileiro.
Mais do que críticas pontuais, Bap levanta discussões sobre governança, transparência e sustentabilidade, temas que devem seguir em pauta nos próximos meses.
Para o torcedor rubro-negro, fica claro que o clube busca não apenas resultados dentro de campo, mas também influência nas decisões que podem moldar o futuro do esporte no país.
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