Os esportes olímpicos do Flamengo operam atualmente com um déficit anual de aproximadamente R$ 20 milhões. Os números foram apresentados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista durante reunião do Conselho Deliberativo e mostram a realidade financeira das modalidades mantidas pelo clube.
Segundo Bap, o cenário ficou ainda mais desafiador após a insegurança gerada pela reforma tributária. O dirigente afirmou que empresas que haviam se comprometido a investir em projetos incentivados reduziram ou adiaram aportes enquanto aguardavam definições sobre a carga tributária dos clubes associativos.
“Vejam, na hora que o governo aprovou isso no ano passado, nós tínhamos uma série de empresas comprometidas conosco com os esportes olímpicos esse ano. Na hora que eles viram isso aqui, eles disseram: opa, é melhor dar uma segurada nisso aí que a gente não sabe o que vai acontecer com o dinheiro”, disse o presidente do Flamengo, antes de completar:
“Meio ano já foi embora e nós estamos aos tapas. A gente esperava arrecadar 30% mais com dinheiro de incentivo e nós estamos arrecadando um pouco menos do que a gente tinha. Então, nós temos ali um investimento enorme em esporte olímpico que não é reconhecido.”
Leia mais: De olho no Mundial: Marcus Vinícius Freire projeta futuro do Sesc Flamengo após balanço da temporada
Veja os números por modalidade
| Modalidade | Receita Líquida (R$ mi) | Despesa (R$ mi) | EBITDA (R$ mi) |
|---|---|---|---|
| Vôlei Profissional | 1 | 5 | -4 |
| Futebol Feminino | 16 | 20 | -4 |
| Remo | 2 | 5 | -3 |
| Basquete | 16 | 19 | -3 |
| Vôlei Base | 2 | 3 | -1 |
| Esportes Aquáticos | 6 | 7 | -1 |
| Judô | 3 | 3 | 0 |
| Ginástica / Nado | 4 | 4 | 0 |
| Total | 58 | 78 | -20 |
Os números mostram que futebol feminino e basquete aparecem entre os maiores déficits da estrutura olímpica do Flamengo, ao lado do vôlei profissional e do remo.
“Então, quando nós olhamos por modalidade, aqui está, dos maiores déficits para os menores. Nós temos um déficit nessa situação de hoje de 20 milhões de reais por ano. Então, hoje, o clube social e o futebol colocam 20 milhões por ano nos esportes olímpicos para que eles fechem suas contas. Nós temos um desafio enorme em futebol feminino, que é a segunda linha, que nós temos uma despesa de 20 milhões por ano, e no basquete, que nós temos uma de 19.”
Impacto da disputa tributária nos esportes olímpicos do Flamengo
Ao comentar a situação, Bap voltou a defender as mudanças tributárias aprovadas recentemente pela Câmara dos Deputados. Segundo ele, a legislação anterior criava uma distorção entre clubes associativos e SAFs.
“No final do ano passado, por uma questão fiscal, o governo resolveu que ia aumentar os impostos de todo mundo, e estava acontecendo ao mesmo tempo uma demanda para que as SAFs tivessem menos impostos. E aí, eles igualaram a carga de impostos da SAF aos clubes sociais, que no final das contas era perto de 5%. Quando isso foi para o Executivo, o Executivo chegou e falou o seguinte: olha, tudo bem se vai todo mundo pagar 5%, todos que têm isenções têm que perder suas isenções.”
O dirigente afirmou que os clubes associativos acabariam pagando proporcionalmente muito mais impostos que as SAFs. Na projeção rubro-negra, o prejuízo acumulado em cinco anos beirava os R$ 800 milhões.
“Nós tomamos uma bala perdida, a gente estava num lugar errado na hora errada. Então, nós que pagávamos 5%, passamos a pagar 15%, que era um absurdo. Uma SAF, que é capital estrangeiro, que não tem obrigação de investir em esporte olímpico no Brasil, que pode tirar dinheiro daqui sob a forma de dividendos quando quiser e bem entender, sem nenhum compromisso com a educação, com a formação do atleta nacional”, concluiu.
O texto aprovado pela Câmara dos Deputados derruba a alíquota de 11,4% para 5%, podendo chegar a apenas 1,8%. O foco do Flamengo agora é o Senado Federal, onde o projeto precisa ser ratificado.
- Camisa nas cores rubro-negras e escudo estampado em prata
- Leve e confortável, ideal para acompanhar os jogos do Flamengo com muito estilo
- Produto 100% ORIGINAL. Produto Licenciado pelo Flamengo
Diretoria trabalha em novas frentes de arrecadação
O Flamengo pretende ampliar receitas por meio de novas parcerias no futebol feminino e no basquete, além de fortalecer o modelo já existente no vôlei feminino.
“Bom, nós vamos buscar uma parceria parecida com o basquete e com o futebol feminino, como eu disse para vocês, como o do vôlei. Nós vamos buscar uma revitalização econômica da parceria do vôlei feminino, que a gente acredita que com essa legislação passando nós vamos buscar mais incentivo. É muito impressionante o crescimento da audiência e do interesse de patrocinadores do vôlei feminino.”
A avaliação da diretoria é que a combinação dessas medidas poderá reduzir os déficits das modalidades mais caras. Além disso, tende a aumentar a capacidade de investimento do clube nas demais modalidades dos esportes olímpicos.
“A nossa inspiração vai ser, independentemente do trabalho que está sendo feito fiscal, que vai nos dar conforto, nós vamos tentar criar parcerias semelhantes à que a gente fez com o Sesc, porque com isso nós podemos ter um time melhor e gastarmos menos dinheiro do Flamengo nesses dois esportes”, concluiu o presidente do Flamengo.
Fique por dentro de tudo no seu WhatsApp! 📲 Quer receber as notícias do Mengão em primeira mão, direto no seu celular? Entre agora no canal oficial do Jornal do Fla no WhatsApp e não perca nenhum detalhe sobre o nosso Mais Querido.
👉 CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NO CANAL

