
Antes de qualquer coisa é preciso resistir a qualquer tentação de valorizar o adversário. Vai ter um desocupado pra elogiar a aplicação tática dos argentinos, vai ter um babaca pra dizer que subestimamos um grande adversário, vai ter um idiota da objetividade pra vir te falar dos grandes méritos da equipe de Cacique Medina. Não ouça, ignore, doidinho de rua você apenas passa reto e deixa falando sozinho.
Porque a noite de hoje não é pra racionalizar derrota, não é pra justificar fracasso, não é pra tentar, de maneira alguma, reduzir a responsabilidade que o time mais caro da América do Sul teve na sua decisão de consagrar o goleiro que mais passou vergonha na última Copa do Mundo.
Dizer que o Flamengo teve uma atuação patética na noite desta quinta-feira seria ignorar o fato de que ele teve na verdade duas atuações patéticas, nas duas últimas quintas-feiras. Uma partida inteira diante de uma equipe do nível do Estudiantes, sem um chute a gol, fora de casa? Ridículo, mas cumpria um objetivo. Vir para o Maracanã lotado e se mostrar incapaz de construir jogadas contra um adversário que só sabe bater e tocar xilofone, mas não pode entrar com xilofone em campo? Vergonhoso e inadmissível.
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Foram 90 minutos do mais absoluto nada, de um time sem armação, sem criatividade, incapaz de representar uma mínima ameaça contra um rival que passou quase metade da partida com um homem a menos em campo. Os meias mais badalados do continente? Desaparecidos. Os laterais capazes de cruzar? Rosto na caixinha de leite. A única jogada do time? Os dois zagueiros tentando alçar a bola na área e encontrando, em absolutamente todas as ocasiões, as luvas do goleiro adversário.
Somando isso ao jogo de ida na Argentina onde não conseguimos chutar uma mísera bola ao gol, e você tem um Flamengo que conseguiu passar três horas, ou seja, toda a duração do filme “O Lobo de Wall Street”, sem marcar um mísero gol no 10º colocado do Campeonato Argentino, a cinco pontos do lanterna da competição. Não é normal, não é aceitável, não há nada que justifique.
Mas obviamente isso não era vergonha o bastante, isso não era humilhante o suficiente, isso ainda era pouco vexame pro Flamengo de Leonardo Jardim – que parece seguir acreditando que o segundo tempo das partidas dura 60 minutos então mexer só aos 35 não tem problema algum. A nação rubro-negra precisava viver o trauma de ser eliminada nos pênaltis em pleno Maracanã.
E foi o que aconteceu. Enquanto a equipe argentina basicamente bicava a bola na direção do gol sem pensar em consequências, o Flamengo desperdiçou penalidades, Rossi não conseguiu realizar uma defesa que fosse e o cenário é a queda, dentro de casa, para um adversário claramente inferior, cuja proposta de jogo era dar porrada na bola, porrada nos adversários, e ver até onde dava pra chegar assim.
É um castigo técnico pela incompetência de Leonardo Jardim e a displicência de sua equipe? Provavelmente. É um castigo kármico pela ganância de Bap e a babaquice dos defensores de bet? Quem sabe. A realidade prática é que o Flamengo está, por mérito próprio, fora de mais uma final de Libertadores.
E amanhã podemos discutir se o Brasileiro é obrigação ou não, o que esse ano ainda reserva, etc etc . Mas por hoje, mais do que qualquer coisa, é obrigação de cada um de nós reconhecer e se irritar com a incompetência de Jardim, Boto, Bap e toda essa equipe que jogou fora a chance do Flamengo levantar sua quinta taça da maior competição do nosso continente.
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