
Pela lógica de que clássico não se joga, clássico se vence, a equipe rubro-negra fez seu dever de casa. Numa rodada em que o vice-líder venceu seu confronto, era essencial que o Flamengo também ganhasse no Maracanã e foi isso que aconteceu, pelo placar mínimo, obrigado Carrascal. Goleada com show vale o mesmo número de pontos que vitória suada, continuamos na frente, segue o líder, vamos que vamos.
Mas como tem sido comum com a equipe de Leonardo Jardim, ficou mais uma vez a sensação de que, diante de um adversário tecnicamente inferior, o Flamengo tentou não apenas dar sorte para o azar como também quis encomendar pé de coelho, trevo de quatro folhas, ferradura e quem sabe até um olho grego, pra entregar diretamente na casa do infortúnio, na residência da desventura, no CEP da fatalidade.
Peguemos, por exemplo, a fase de Pedro. Mais uma vez o nosso camisa 9, titular do Flamengo e atleta de Seleção Brasileira, perdeu um gol que seria inaceitável ser perdido pelo seu amigo ruim de bola, pelo seu tio que perdeu o joelho na guerra, pelo seu colega de trabalho que você só chama pra sua pelada porque ele te dá carona.
Dentro da área, bola dominada, de frente pro goleiro, com tempo para ajeitar o corpo e fuzilar, Pedro, num momento decisivo de um clássico que valia a liderança do Brasileirão, desperdiçou a oportunidade.
É razão para atirar pedras e pedir que saia do time? Claro que não. Ainda mais porque Pedro, mesmo quando não marca, tem normalmente sido um grande garçom e servido seus companheiros. Mas não é possível achar normal que o nosso centroavante goleador esteja se complicando tanto, matando contra-ataques e desperdiçando chances como a que perdeu neste domingo, numa partida em que não tivemos exatamente tantas grandes oportunidades.
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Porque neste domingo o que vimos foi uma partida muito mais de transpiração que de inspiração, com muito mais briga do que futebol e onde o Flamengo acabou cometendo vários erros bobos, seja de passe no meio de campo, de tomada de decisão no ataque, ou mesmo de orientação na defesa, como na bola segura que Léo Ortiz quase transformou em gol de empate do time adversário nos acréscimos.
Não existem dúvidas de que o Flamengo de Leonardo Jardim evoluiu muito e hoje consegue praticar um futebol ofensivo, organizado e superior ao que vinha praticando meses atrás. Em quase todas as partidas a equipe rubro-negra é protagonista, cria as melhores chances e merece sair de campo com a vitória.
A questão é a frequência com que essa mesma equipe, que possui qualidade e volume de jogo para vencer com tranquilidade, se propõe a complicar o jogo sem necessidade e com isso vencer com um sufoco e desgaste que não precisaria, como aconteceu hoje, ou mesmo perder pontos que pareciam garantidos, como aconteceu diante do Santos no meio da semana.
Então, neste cenário de reta final que vivemos, com duas partidas de vida ou morte rumo à final da Libertadores e todos os jogos sendo decisivos até o fim do Brasileirão, o time precisa entender que não existe mais margem pra isso. Não tem mais espaço pra vacilo na defesa, pra gol perdido dentro da pequena área, pra passe displicente no meio de campo. Agora, mais do que nunca, é hora do Flamengo sofrer menos, pra torcida poder sorrir mais.
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