O Grupo Flamengo Maior pediu a abertura de um inquérito disciplinar contra Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, por possível uso político do clube. Em carta enviada a Ricardo Lomba, presidente do Conselho Deliberativo, o grupo aponta cinco episódios que, na avaliação dos signatários, podem configurar infrações ao estatuto rubro-negro.
“Nos termos do Artigo 59 do Estatuto do Clube de Regatas do Flamengo solicita-se a abertura, dentro do prazo estatutário de cinco dias, de comissão de inquérito para averiguar possível infração disciplinar pelo presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista.”
A denúncia cita a campanha contra a MP das Bets nos canais oficiais, o uso do uniforme rubro-negro com a frase “Proibir não é proteger”, a exibição de faixas políticas no Maracanã, um evento de apoio a Flávio Bolsonaro no Maracanãzinho e um vídeo em que Bap pede votos para o então candidato a deputado federal Dr. Luizinho.
“Considerando que o parágrafo único do artigo 50 tacha como grave indisciplina social ou esportiva ‘envolver o nome do Flamengo em campanha de qualquer natureza, estranha aos objetivos do clube’ e prevê suspensão de até trezentos e sessenta dias ou eliminação do quadro social do Clube de Regatas do Flamengo;”
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O grupo também questiona a atuação de Bap às vésperas do primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, e pede que o Conselho Deliberativo apure os episódios. A carta sustenta que as situações relatadas precisam ser esclarecidas e cobra providências caso as infrações sejam comprovadas.
“Apenas um desses fatos já seria de extrema gravidade, mas a ocorrência de vários deles ressalta a urgência com a qual os fatos devem ser esclarecidos e, caso comprovada a infração, cesse o uso do Flamengo para campanha ideológica e político-partidária alheia a seus objetivos estatutários.”
Denúncia cita campanha contra MP das Bets e apoio eleitoral
Um dos pontos centrais é a participação de Bap no MengoCast, da FlamengoTV, em 28 de setembro. Na ocasião, o presidente criticou a MP das Bets. Para o Flamengo Maior, a divulgação da entrevista nos canais oficiais, às vésperas da eleição presidencial, poderia ser interpretada como posicionamento institucional contra o governo Lula.
A carta também questiona a frase “Proibir não é proteger”, usada no uniforme em partidas contra Santos, Fluminense, Bahia e Estudiantes. O grupo afirma que a campanha foi realizada sem aprovação do Conselho Deliberativo.
Outros episódios envolvem uma faixa com críticas a Lula, ao Supremo e ao STF durante o jogo contra o Fluminense, o aluguel do Maracanãzinho para um evento da Assembleia de Deus em apoio a Flávio Bolsonaro e um vídeo no Instagram em que BAP pede votos para Dr. Luizinho. A representação também menciona relatos de uso das dependências do clube como apoio logístico de campanha.
Veja a íntegra da carta
“Ao Excelentíssimo Presidente do Conselho Deliberativo do Clube de Regatas do Flamengo, Ricardo Lomba,
Nos termos do Artigo 59 do Estatuto do Clube de Regatas do Flamengo solicita-se a abertura, dentro do prazo estatutário de cinco dias, de comissão de inquérito para averiguar possível infração disciplinar pelo presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista.
Considerando que o artigo 2º do Estatuto é claro ao listar os objetivos do Clube de Regatas do Flamengo, e que estes não incluem a defesa e a promoção da atividade de empresas de aposta;
Considerando que o inciso XXII do Artigo 24 prevê que os associados têm o dever de “abster-se usar, explorar ou envolver o nome, os símbolos a imagem institucional, a estrutura, os cargos, as atividades, os meios físicos ou digitais, bem como qualquer forma de associação institucional do Flamengo, para fins de promoção político-partidária eleitoral ou ideológica estranhos aos seus objetivos estatutários”;
Considerando que o parágrafo único do artigo 50 tacha como grave indisciplina social ou esportiva “envolver o nome do Flamengo em campanha de qualquer natureza, estranha aos objetivos do clube” e prevê suspensão de até trezentos e sessenta dias ou eliminação do quadro social do Clube de Regatas do Flamengo;
Solicita-se a instauração de Comissão de Inquérito para averiguar se constituem uma ou mais violações dos artigos recorrentes as seguintes práticas empreendidas por Luiz Eduardo Baptista;
1 – Uso da Flamengo TV e das redes sociais do clube para divulgação maciça de entrevista, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, em que critica duramente a chamada MP das Bets, seus supostos efeitos para o futebol brasileiro, com direito a análises sobre a incerteza para a realização de investimentos estrangeiros no Brasil que, no contexto da disputa eleitoral, só podem ser vistas como críticas institucionais do Flamengo, na forma do seu presidente, ao governo que editou a MP em questão e ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva;
2 – Ato contínuo, o uso da camisa do Clube de Regatas do Flamengo para a veiculação dos dizeres “Proibir não é proteger”, slogan de campanha contra a MP em questão, sem qualquer aprovação do Conselho Deliberativo para exibição de tal campanha no uniforme e embora pesquisas indiquem aprovação de até 65% dos brasileiros à MP em questão, nos jogos contra Santos, Fluminense, Bahia e Estudiantes de La Plata;
3 – A permissão de exibição, por torcidas organizadas, de faixas com dizeres políticos “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra, Lula, Supremo e STF” na partida contra o Fluminense, o que contrasta com ocasião anterior na qual torcedores que exibiram a faixa “Morte aos torturadores de 64” foram proibidos de realizar esse protesto no Maracanã e detidos;
4 – Dentro desse contexto, o aluguel do ginásio do Maracanãzinho para um ato político da Assembleia de Deus com campanha para o candidato adversário de Lula nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro;
5 – A divulgação, na rede social Instagram, às vésperas do primeiro turno das eleições, de vídeo em que Baptista, identificado como “presidente do Flamengo”, pede votos para o candidato a deputado federal Doutor Luizinho. Há relatos de que Doutor Luizinho usou as dependências do clube como apoio logístico à sua campanha na véspera da eleição. Cabe registrar que no último dia 7 de outubro Doutor Luizinho anunciou, ao lado de Flávio Bolsonaro, o apoio à eleição do candidato no segundo turno.
Apenas um desses fatos já seria de extrema gravidade, mas a ocorrência de vários deles ressalta a urgência com a qual os fatos devem ser esclarecidos e, caso comprovada a infração, cesse o uso do Flamengo para campanha ideológica e político-partidária alheia a seus objetivos estatutários.
Confiamos que o presidente do Conselho Deliberativo cumprirá sua função estatutária e, tendo tomado oficialmente conhecimento destes indícios de infração disciplinar, proceda para a imediata instalação da comissão de inquérito.
Frente Flamengo Maior“
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