Bruno Pivetti conhece de perto dois dos jogadores mais talentosos revelados recentemente pelas categorias de base do Flamengo. Ex-treinador do sub-20 rubro-negro, o técnico fez grandes elogios a Lorran e Léo Nannetti e aproveitou a experiência com a dupla para levantar uma discussão mais ampla: na avaliação dele, o futebol brasileiro ainda falha na maneira como conduz seus jovens talentos.
Em entrevista ao ge, Pivetti classificou os dois jogadores como excelentes. Ao falar especialmente de Lorran, o treinador destacou a necessidade de compreender o contexto do atleta fora das quatro linhas e defendeu que o jovem tenha paciência, atenção e orientação durante o processo de desenvolvimento.
“O que o Lorran faz com a perna esquerda para mim remete traços dos grandes ídolos que a gente tem na história do futebol brasileiro e mundial. Então, é um jogador que, se for tratado com a devida atenção, com o devido carinho, tem muito a contribuir não só com o Flamengo, mas com o futebol brasileiro de uma maneira geral”, afirmou Pivetti.
Leia também: Flamengo vê proposta do Granada por Lorran como ‘insulto’ e trava saída
Pivetti pede paciência com Lorran
Ao analisar o jogador, Pivetti foi além das características técnicas. O ex-treinador do Flamengo ressaltou que jovens podem enfrentar dificuldades durante a transição para o futebol profissional e criticou a rapidez com que grandes expectativas podem se transformar em cobranças.
“Você imagina um jogador que sai de um processo extremamente delicado social, depois tem acesso a tudo e consegue inicialmente render bem, todas as expectativas já recaem sobre os seus ombros e um mínimo que ele não consiga atingir essa expectativa, ele já é deixado de lado, já é colocado como fracassado”, analisou.
Por isso, na avaliação de Pivetti, o desenvolvimento de Lorran passa também pela maneira como o jogador é conduzido por treinador, comissão técnica e diretoria.
“Precisa se ter uma conexão com o Lorran, precisa se ter paciência com o Lorran e precisa ter uma atenção redobrada para que a conexão entre treinador, entre comissão técnica, entre diretoria favoreça com que o Lorran represente ali dentro de campo a sua melhor versão.”
Pivetti acredita que, se bem orientado, o jovem possui potencial não apenas para contribuir esportivamente com o Flamengo, mas também para se tornar um ativo importante no futuro.
“Eu acredito que o Lorran, se tiver a cabeça no lugar agora e se for bem orientado principalmente, pode contribuir demais nessa temporada do Flamengo e pode ser um dos grandes ativos aí do futebol brasileiro para o médio e longo prazo.”
Léo Nannetti surge como contraponto
Outro nome do qual foi questionado é o de Léo Nannetti. Bruno Pivetti rasgou elogios ao goleiro e aposta nele como o futuro da posição tanto no Flamengo, quanto na Seleção Brasileira.
“É um jogador que eu acredito que vai dar muitas alegrias não só à torcida do Flamengo como também à torcida brasileira porque é um goleiro que tem muito boa formação e quando eu falo isso falo também cito o trabalho dos profissionais e treinadores de goleiro do Flamengo.”
Em seguida, citou alguns dos recursos que fazem o Nannetti ser tão promissor.
“É um jogador que domina muito bem todas as técnicas, tem muito bom jogo com os pés e isso dá um mecanismo muito grande de primeira fase de construção porque ele tem tanto capacidade para fazer jogo apoiado na saída de bola como também tem bolas longas direcionadas, lançamentos muito bem executados.”
Mas ele também chamou a atenção para o fator social do indivíduo. E nesse aspecto, Léo Nannetti acaba sendo um contraponto em relação ao Lorran, como pondera Pivetti.
“O Nannetti além de um excelente goleiro é uma excelente pessoa. É um jogador que foge à regra do futebol brasileiro, já é um jogador que vem de uma família estruturada, que contou sempre com a melhor formação e informações possíveis, seja em termos escolares, dos pais, do seu staff. É um jogador muito estável em termos emocionais.”
Matheus Gonçalves também recebe elogios
O diagnóstico de Pivetti não ficou restrito a Lorran e Nannetti. O treinador colocou Matheus Gonçalves no mesmo patamar em relação ao talento e detalhou as características que mais chamaram sua atenção durante o período em que trabalhou com o meia.
“O Matheus Gonçalves, assim como o Lorran, é outro jogador genial, que domina todos os fundamentos técnicos do futebol. É um jogador muito inteligente taticamente.”
Pivetti também apontou uma característica específica do jogo de Matheus. Segundo ele, o jovem encontra maior dificuldade em um modelo extremamente posicional, mas compensa com a capacidade de interpretar espaços e aparecer em regiões nas quais pode ser decisivo.
“É um jogador que tem dificuldade quando você coloca ele num jogo mais posicional para manter a própria posição ali, mas que é um jogador que tem um entendimento de jogo, que sabe identificar onde está o espaço e como ele pode se mover para esse espaço para ser efetivamente decisivo para a equipe, seja com assistência, seja com gols.”
Além disso, o treinador destacou controle de bola e capacidade de finalização antes de repetir a projeção feita para Lorran e Nannetti: Matheus também pode se tornar um dos principais ativos do futebol brasileiro no médio e longo prazo.
“Brasil perde muito talento”, alerta ex-Flamengo
É justamente a partir dos casos de Lorran e Matheus Gonçalves que Pivetti amplia sua análise para o futebol brasileiro. Na visão do treinador, clubes, dirigentes, comissões técnicas, imprensa e torcida precisam melhorar a forma como lidam com atletas em formação.
“Nós, enquanto mercado, todos os players do mercado, seja torcida, seja imprensa, seja comissões técnicas, seja diretoria, seja presidência dos clubes, precisamos tratar melhor os nossos talentos. Então, esses jogadores precisam de atenção, precisam de informação e precisam de formação, que é extremamente importante para que eles possam canalizar o seu talento a serviço do futebol.”
Pivetti considera que a falta de tempo para adaptação e a pressão por rendimento imediato fazem com que jogadores talentosos sejam descartados precocemente.
“Eu tenho convicção que o Brasil, infelizmente, perde muito talento nesse processo e que, se tivesse um nível de preparo maior, mas principalmente uma cultura mais favorável para ver o ser humano antes do jogador, eu acredito que a nossa eficiência estaria muito maior.”
A avaliação sintetiza a visão do ex-treinador do sub-20 do Flamengo sobre Lorran e Matheus Gonçalves: talento, para Pivetti, não falta aos dois. O desafio está em criar o ambiente necessário para que esse potencial consiga se transformar em rendimento no futebol profissional.
Fique por dentro de tudo no seu WhatsApp! 📲 Quer receber as notícias do Mengão em primeira mão, direto no seu celular? Entre agora no canal oficial do Jornal do Fla no WhatsApp e não perca nenhum detalhe sobre o nosso Mais Querido.
👉 CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NO CANAL

