A fratura no punho esquerdo de Arrascaeta levanta dúvidas sobre o tempo de recuperação e o retorno do meia do Flamengo aos gramados. Para explicar o processo de recuperação e as etapas até a volta ao futebol, o Jornal do Fla conversou com Victor Titonelli, ortopedista e traumatologista.
A lesão aconteceu durante a vitória do Uruguai por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, quando Arrascaeta caiu e apoiou a mão esquerda no gramado. O meia deixou o campo após sentir dores e passou por exames na Coreia do Sul, que confirmaram a fratura no punho. O Flamengo informou que há indicação de cirurgia, mas ainda não revelou qual osso foi atingido.
“O tempo médio de recuperação é de seis a nove semanas. E com certeza o prazo pode mudar de acordo com a gravidade e o osso atingido. Por exemplo, existe algumas fraturas no punho que é um osso chamado escafoide que esse tempo de recuperação é maior, por exemplo, do que a fratura nos ossos do antebraço, do rádio e da ulna”, explicou Titonelli.
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A indicação cirúrgica depende das características da fratura, principalmente do grau de desvio e da gravidade. Segundo Titonelli, o procedimento estabiliza a região e permite uma reabilitação mais precoce.
“Tratamento cirúrgico, ele tende a estabilizar melhor essas fraturas, evitando uma perda de uma eventual necessidade de uma redução da fratura. Ao indicarmos o tratamento cirúrgico, essa fratura não irá desviar e gera mais segurança na nossa reabilitação, então permite uma reabilitação mais precoce, tratamento fisioterapêutico mais precoce”, explicou o membro do staff do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e médico da Confederação Brasileira de MMA há 10 anos.
Arrascaeta pode iniciar fisioterapia e trabalhos físicos cedo
A indicação de cirurgia não significa apenas uma mudança no tratamento da fratura. Para um atleta de alto rendimento, a estabilização do punho também permite antecipar etapas importantes da recuperação. Segundo Titonelli, em um tratamento conservador de fraturas do antebraço, a imobilização pode durar cerca de seis semanas antes do início da fisioterapia.
“Já após a cirurgia, depois da segunda, terceira semana, já começa a fisioterapia, então o processo de reabilitação é muito mais rápido, principalmente em um atleta de alto rendimento nas fraturas do antebraço”, explicou Victor Titonelli.
Esse trabalho fisioterápico pode começar antes da retirada dos pontos, com exercícios para controlar o edema, reduzir a dor e preservar os movimentos do punho. Além disso, entre sete e dez dias após a cirurgia, o atleta pode iniciar atividades aeróbicas leves, como bicicleta e esteira.
“Geralmente, após 7 a 10 dias do procedimento cirúrgico, esse atleta já está apto a começar atividades aeróbicas mais leves, como bicicleta, uma esteira leve, até atividades mesmo na água que não molhem a área da fratura”, afirmou.
Retorno progressivo aos treinos
Por volta de quatro semanas, Arrascaeta pode começar trabalhos com bola, desde que não exista contato físico ou risco de queda sobre o punho operado. A primeira etapa envolve atividades controladas, como toque de bola e passes.
“Após quatro semanas, ele pode começar a realizar atividades com bola, desde que não tenha contato físico e que não tenha risco dele ter uma queda e ter um novo trauma na área recém-operada. A gente começa inicialmente com trabalho progressivo, com toque de bola, passe”, explicou Titonelli.
A liberação para treinos com os companheiros e, posteriormente, para atividades com contato depende da evolução da fratura. Segundo o médico, o jogador precisa apresentar consolidação radiográfica e recuperação funcional, com ausência de dor, redução do edema e recuperação dos movimentos do punho. “Precisa de estar comprovado radiograficamente e funcionalmente”, afirmou.
“Então é uma média entre processos radiográficos e funcionais. Radiografia a gente vê a consolidação e funcionais, principalmente dor, diminuição de edema e arco de movimento recuperado”, detalhou Titonelli.
A partir desses critérios, a progressão pode avançar para situações de maior risco, com o uso de uma órtese rígida podendo oferecer segurança adicional durante o retorno aos treinos e ao contato físico.
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Tala pode ajudar Arrascaeta na volta ao Flamengo
A utilização de uma tala rígida pode fazer parte da volta de Arrascaeta aos treinamentos, principalmente nas atividades que oferecem maior risco de contato ou queda. Para Titonelli, o recurso dá uma proteção adicional ao punho enquanto o jogador avança nas etapas da recuperação.
“Órteses ou talas rígidas dão uma segurança adicional nesse retorno precoce, nesse retorno aí para o treinamento e depois para o contato físico”, explicou o médico.
No caso de Arrascaeta, esse cuidado ganha importância porque o futebol envolve disputas e situações em que o jogador pode cair e apoiar a mão no gramado. Por isso, a proteção deve ser utilizada junto aos critérios radiográficos e funcionais necessários para a liberação.
“Ele é um atleta de contato, então assim, é importante a gente ter essa avaliação, os critérios funcionais, critérios radiográficos, né, para esse atleta estar seguro”, destacou Titonelli.
A recuperação, portanto, avança de forma gradual, com a consolidação da fratura e a recuperação funcional do punho definindo quando Arrascaeta poderá aumentar a carga dos treinamentos e voltar definitivamente aos gramados.
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