O Flamengo avançou na apresentação da chamada emenda eleitoral, uma proposta de alteração estatutária para reorganizar as regras das eleições do clube. O tema foi detalhado em episódio do ‘MengoCast’, da ‘Flamengo TV’, com a presença do presidente Bap e do vice-presidente geral Flávio Willeman.
Segundo a diretoria, a proposta nasce de uma promessa de campanha e tem como objetivo central transformar em regra estatutária aquilo que hoje está disperso em interpretações da comissão eleitoral, reduzindo zonas de conflito e dando mais previsibilidade ao processo.
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Regras eleitorais passam a integrar o Estatuto do Flamengo
Um dos pilares da proposta é a incorporação direta das normas eleitorais ao Estatuto. Hoje, parte das decisões e orientações sobre campanhas e candidaturas fica sob responsabilidade de uma comissão eleitoral, o que, segundo a atual gestão, abre margem para questionamentos e disputas de interpretação.
Bap defendeu que a mudança busca dar mais segurança jurídica ao processo e evitar o que chamou de “disse-me-disse” nas eleições internas.
“O que acontece é que, ao longo das eleições, sempre tem uma bola dividida do que pode e do que não pode. Existem reações ao que a comissão diz, gente que questiona se aquilo tem ou não força. Então a ideia é trazer isso para dentro do Estatuto, para que isso vire um regramento convencional e todo mundo saiba exatamente quais são as regras do jogo”, afirmou o presidente.
Flávio Willeman reforçou que a medida também se baseia em uma lógica de fortalecimento institucional, aproximando o clube de práticas de governança mais estruturadas.
“Democracia pressupõe igualdade de oportunidades. E isso exige regras claras que impeçam abuso de poder econômico e político, além de sanções para quem viola essas regras. O que sentimos falta hoje é exatamente isso: um conjunto de normas cogentes dentro do Estatuto, aplicáveis a todos os participantes do processo eleitoral”, disse.
Transparência em campanhas e risco de influência de parceiros
Um dos pontos mais sensíveis do debate envolve o financiamento de campanhas eleitorais dentro do clube. A diretoria citou como exemplo a possibilidade de parceiros comerciais ou patrocinadores contribuírem financeiramente com chapas, o que, mesmo sem ilegalidade, poderia gerar desequilíbrio na disputa.
Bap usou um exemplo hipotético envolvendo grandes contratos comerciais do clube para ilustrar o problema e defender a necessidade de regras mais rígidas.
“Você imagina um cenário em que um parceiro que já tem relação comercial forte com o Flamengo decide contribuir com uma campanha. Não é ilegal, mas você precisa perguntar: isso é moral? Isso gera equilíbrio ou desequilíbrio no processo? Na dúvida, é melhor deixar claro e evitar esse tipo de situação”, afirmou.
A proposta, segundo ele, busca impedir que relações institucionais do clube sejam convertidas em vantagem eleitoral indireta, ainda que dentro da legalidade.
Responsabilização e critérios mais rígidos para ficha limpa
Outro eixo importante da emenda eleitoral é a responsabilização direta do candidato principal por toda a chapa. Pela proposta, o presidenciável passa a responder por atos de campanha e por eventuais irregularidades cometidas por integrantes do grupo político.
Além disso, o texto também estabelece critérios mais objetivos de elegibilidade, com exigência de comprovação de idoneidade e apresentação de documentos que atestem regularidade jurídica e financeira. Willeman comparou o modelo a práticas do sistema eleitoral brasileiro e defendeu a adoção das regras.
“A ideia é garantir que quem se apresenta para disputar o cargo tenha condições mínimas de idoneidade moral e responsabilidade. Não basta apresentar uma certidão de forma formal. É preciso que o conteúdo dela seja coerente com a realidade, e que haja espaço para esclarecimentos quando necessário”, explicou.
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Neutralidade administrativa no dia da eleição
A proposta também prevê mudanças no funcionamento do clube durante o dia da eleição. A ideia é reduzir ao máximo a influência da estrutura administrativa sobre o processo eleitoral, garantindo um ambiente considerado neutro pela atual gestão.
“O dia da eleição é o dia de maior importância para a democracia rubro-negra. O clube precisa funcionar em regime de neutralidade, sem qualquer evento ou ação que possa interferir na livre manifestação do sócio”, disse Bap.
De acordo com a diretoria, a proposta ainda será analisada por comissões internas e pelo Conselho Deliberativo antes de seguir para votação dos sócios. A expectativa é de que o processo avance nos próximos meses, com possibilidade de deliberação em até 45 dias.
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