O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, detalhou na última semana quais são as condições consideradas fundamentais pelo clube para participar de uma futura liga de clubes no Brasil. Durante reunião do Conselho Deliberativo, o dirigente afirmou que o Fla defenderá garantias comerciais, proteção institucional e liberdade para deixar o projeto caso ele não produza crescimento econômico.
Ao abordar o tema, Bap relembrou a disputa travada pelo Flamengo dentro da Libra. Segundo ele, o clube recuperou R$ 37,5 milhões por ano após contestar critérios de distribuição previstos no contrato de direitos de transmissão. Ele também destacou que o Rubro-Negro passou a ocupar posição de liderança.
“Nós encerramos a briga com eles recuperando R$ 37,5 milhões por ano. Nós mudamos o comitê gestor da Libra. Então, o Flamengo garantiu esse dinheiro a mais. O Flamengo hoje lidera a Libra junto com o Bahia, eleito por todos os demais clubes”, afirmou o presidente.
O dirigente explicou que o próximo passo será justamente a construção de uma liga nacional envolvendo Libra e Liga Forte União. O Flamengo, aliás, já apresentou à CBF um documento com propostas para a organização do futebol brasileiro e pretende participar ativamente das discussões sobre o novo modelo.
“Nós vamos discutir essa liga. É claro que a gente quer se basear no que tem de melhor. Tem seis grandes ligas no mundo que funcionam muito bem, com características diversas, mas não faz sentido o Brasil reinventar a roda”, disse.
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Flamengo quer garantia mínima de receitas em futura liga
Entre os pontos considerados essenciais pelo clube está a criação de um mecanismo que preserve a participação comercial do Flamengo nas receitas do futebol brasileiro. Bap argumenta que o Rubro-Negro possui peso diferenciado na geração de receitas e que isso precisa ser reconhecido.
Segundo o presidente, estudos internos apontam que o Flamengo responde por aproximadamente 15% de toda a arrecadação gerada pelo futebol brasileiro em áreas como direitos de transmissão e marketing. Por isso, o clube defende que qualquer liga garanta, no mínimo, a manutenção desse percentual.
“Nós queremos uma garantia de mínimo comercial. A gente entende que o Flamengo é responsável por 15% do total do dinheiro que é feito no futebol brasileiro do ponto de vista de marketing”, disse, antes de concluir:
“Se nós vamos entrar numa sociedade, nós queremos garantir este valor absoluto que nós recebemos e minimamente 15% do que nós vamos dividir juntos. Quem é que entraria numa sociedade com alguém para 2 mais 2 dar 3?”
Bap defende poder de veto e modelo inspirado na Fórmula 1
Outro ponto defendido pelo Flamengo é a criação de mecanismos de proteção para evitar mudanças futuras nas regras de distribuição de receitas. Segundo Bap, o clube pretende discutir a adoção de uma espécie de ‘golden share’, conceito utilizado em estruturas societárias para conceder direitos especiais a determinados participantes.
O dirigente citou como referência o chamado Pacto da Concórdia, acordo que rege a Fórmula 1 e garante benefícios específicos à Ferrari em razão da relevância histórica e comercial para a categoria.
“Esse Pacto da Concórdia garante à Ferrari que ela tenha um pagamento mínimo garantido, independente de qualquer coisa, antes da divisão de valores, porque a Ferrari agrega valor ao campeonato mundial de Fórmula 1.”
Na avaliação do presidente, o Flamengo precisa estar protegido contra eventuais mudanças futuras aprovadas pela maioria dos clubes. Por isso, pretende defender a existência de instrumentos que impeçam alterações consideradas prejudiciais: “O Flamengo quer ter o direito de estar protegido”.
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Direito de saída também aparece entre as exigências
Além das garantias financeiras e institucionais, o Flamengo também pretende defender uma cláusula que permita a saída da liga caso o projeto não alcance os resultados esperados. Para Bap, o principal objetivo da criação de uma competição organizada pelos clubes deve ser o aumento das receitas e da valorização do produto.
“O terceiro é o seguinte. Se o negócio não der certo, eu quero ter o direito de sair e de negociar sozinho.”
Bap reforçou que a criação de uma liga deve servir para aumentar o tamanho do mercado e não apenas redistribuir recursos entre os participantes. Segundo ele, o Flamengo não vê sentido em abrir mão de receitas próprias caso o novo modelo não gere expansão do bolo financeiro do futebol brasileiro.
“É óbvio que o motivo para você criar uma liga é o de aumentar o bolo. Se o bolo não aumentar, o Flamengo não tem a menor pretensão de subsidiar outros clubes”, finalizou.
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