Ao abordar o tema, Bap relembrou a disputa travada pelo Flamengo dentro da Libra. Segundo ele, o clube recuperou R$ 37,5 milhões por ano após contestar critérios de distribuição previstos no contrato de direitos de transmissão. Ele também destacou que o Rubro-Negro passou a ocupar posição de liderança.
“Nós encerramos a briga com eles recuperando R$ 37,5 milhões por ano. Nós mudamos o comitê gestor da Libra. Então, o Flamengo garantiu esse dinheiro a mais. O Flamengo hoje lidera a Libra junto com o Bahia, eleito por todos os demais clubes”, afirmou o presidente.
O dirigente explicou que o próximo passo será justamente a construção de uma liga nacional envolvendo Libra e Liga Forte União. O Flamengo, aliás, já apresentou à CBF um documento com propostas para a organização do futebol brasileiro e pretende participar ativamente das discussões sobre o novo modelo.
“Nós vamos discutir essa liga. É claro que a gente quer se basear no que tem de melhor. Tem seis grandes ligas no mundo que funcionam muito bem, com características diversas, mas não faz sentido o Brasil reinventar a roda”, disse.
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Flamengo quer garantia mínima de receitas em futura liga
Entre os pontos considerados essenciais pelo clube está a criação de um mecanismo que preserve a participação comercial do Flamengo nas receitas do futebol brasileiro. Bap argumenta que o Rubro-Negro possui peso diferenciado na geração de receitas e que isso precisa ser reconhecido.
Segundo o presidente, estudos internos apontam que o Flamengo responde por aproximadamente 15% de toda a arrecadação gerada pelo futebol brasileiro em áreas como direitos de transmissão e marketing. Por isso, o clube defende que qualquer liga garanta, no mínimo, a manutenção desse percentual.
“Nós queremos uma garantia de mínimo comercial. A gente entende que o Flamengo é responsável por 15% do total do dinheiro que é feito no futebol brasileiro do ponto de vista de marketing”, disse, antes de concluir:
“Se nós vamos entrar numa sociedade, nós queremos garantir este valor absoluto que nós recebemos e minimamente 15% do que nós vamos dividir juntos. Quem é que entraria numa sociedade com alguém para 2 mais 2 dar 3?”
Bap defende poder de veto e modelo inspirado na Fórmula 1
Outro ponto defendido pelo Flamengo é a criação de mecanismos de proteção para evitar mudanças futuras nas regras de distribuição de receitas. Segundo Bap, o clube pretende discutir a adoção de uma espécie de ‘golden share’, conceito utilizado em estruturas societárias para conceder direitos especiais a determinados participantes.
O dirigente citou como referência o chamado Pacto da Concórdia, acordo que rege a Fórmula 1 e garante benefícios específicos à Ferrari em razão da relevância histórica e comercial para a categoria.
“Esse Pacto da Concórdia garante à Ferrari que ela tenha um pagamento mínimo garantido, independente de qualquer coisa, antes da divisão de valores, porque a Ferrari agrega valor ao campeonato mundial de Fórmula 1.”
Na avaliação do presidente, o Flamengo precisa estar protegido contra eventuais mudanças futuras aprovadas pela maioria dos clubes. Por isso, pretende defender a existência de instrumentos que impeçam alterações consideradas prejudiciais: “O Flamengo quer ter o direito de estar protegido”.
Direito de saída também aparece entre as exigências
Além das garantias financeiras e institucionais, o Flamengo também pretende defender uma cláusula que permita a saída da liga caso o projeto não alcance os resultados esperados. Para Bap, o principal objetivo da criação de uma competição organizada pelos clubes deve ser o aumento das receitas e da valorização do produto.
“O terceiro é o seguinte. Se o negócio não der certo, eu quero ter o direito de sair e de negociar sozinho.”
Bap reforçou que a criação de uma liga deve servir para aumentar o tamanho do mercado e não apenas redistribuir recursos entre os participantes. Segundo ele, o Flamengo não vê sentido em abrir mão de receitas próprias caso o novo modelo não gere expansão do bolo financeiro do futebol brasileiro.
“É óbvio que o motivo para você criar uma liga é o de aumentar o bolo. Se o bolo não aumentar, o Flamengo não tem a menor pretensão de subsidiar outros clubes”, finalizou.
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