
Nada do que aconteceu na tarde de hoje, na partida entre Flamengo e Corinthians, no Maracanã, pode ser considerado surpresa. A equipe rubro-negra ter mais posse de bola mas não converter isso em gols? Comum nessa temporada. Pedro deixando de fazer o simples pra inventar uma finalização mais plástica e elaborada? Infelizmente acontece muito. Um jogo fácil se tornando complicado porque a equipe de Leonardo Jardim não matou a partida quando teve chance? Já vimos quase tantas vezes quanto o Chaves sendo expulso da vila.
Mas, para nossa sorte, outra coisa que também é frequente e aconteceu neste domingo, foi Bruno Henrique salvar o Flamengo. Quando o que deveria ser uma vitória protocolar diante do time misto do Corinthians havia se transformado num constrangedor empate, quando a liderança do Brasileirão parecia escapar entre os dedos, quando apenas dois minutos separavam o triunfo da tragédia, era ele que estava lá.
Bruno Henrique Pinto. O BH. O camisa 27. O Sr. Libertadores. O Rei dos Clássicos. O homem que sabe que o Flamengo tem diversas páginas de Instagram e que certa vez descreveu Renato Aragão, o Didi, como um “ser humano de pessoa”. O homem que sempre que via essa imagem não via, e só está vendo aqui agora porque você está mostrando.
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Porque tudo isso é parte do que torna tão rica a mitologia brunohenriquiana e faz com que seja impossível não colocar o atacante em posição de destaque na lista de maiores ídolos rubro-negros. Um atacante que, aos 35 anos, e com status de reserva, fez gols nas duas partidas decisivas da semana, abrindo o placar pela Libertadores e garantindo a vitória que nos manteve líderes do Brasileirão.
Um jogador que veste o manto desde 2019, recebeu propostas milionárias para sair e quando entrevistado diz que está ali pra servir o Flamengo. Um atleta que pode não ser tão badalado quanto Arrascaeta e nunca ter recebido a mesma atenção que Gabigol, mas supera os dois, por exemplo, em participações em gols na Libertadores desde que chegou ao Flamengo.
Bruno Henrique não só decidiu hoje e havia decidido antes na semana, como ele vem sendo decisivo desde que pisou na Gávea. Mudaram técnicos, mudaram jogadores, mas Bruno Henrique, continua lá, o homem que já fez gols com passes de Diego Ribas e hoje resolveu a partida num cruzamento de Joaquín Freitas, que tinha 12 anos de idade quando BH chegou ao Flamengo.
Uma trajetória construída com imensa humildade, gigantesco respeito ao clube, mas acima de tudo com muita bola jogada. E que coloca Bruno Henrique, com muita tranquilidade, não apenas entre os maiores expoentes da sua geração, da qual apenas ele e Arrascaeta seguem no Flamengo, mas também entre os maiores ídolos da história do clube, seja em números, com seus 119 gols e 18 títulos oficiais, seja pelo simbolismo das sua dedicação, das suas conquistas, de ter articulado tão claramente o fato de que o Flamengo, nos últimos anos, está sim em outro patamar.
Algo que pode ser dito também sobre BH, um jogador que a cada partida, com cada gol, a cada pique, parece mostrar pra nós que ele, também, quer e merece ser colocado nesse outro patamar, em termos de idolatria nos corações rubro-negros.
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