
A verdade é que nenhum rubro-negro jamais duvidou da habilidade e da qualidade técnica de Jorge Carrascal. Duvidamos do seu comprometimento? Com certeza. Da sua seriedade? Quase sempre. De que, na sua pirâmide de prioridades, o Flamengo pudesse estar acima dos passeios de barcos com os amigos, dos vídeos de dancinha e das festas na mansão? Certamente também.
Porque a verdade é que o colombiano precisava apenas tocar na bola pra deixar claro que possuía um talento diferenciado. Carrascal desde o começo mostrou que tinha a qualidade, que tinha o drible, que tinha a técnica. O que ele não parecia ter, e também desde o começo, eram as qualidades mentais e de temperamento necessárias para potencializar isso tudo.
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Era a falta de combatividade na marcação, era a ausência de pensamento coletivo na armação da jogada, era a necessidade de dar aquele drible a mais quando um passe direto resolveria. Carrascal, que com certeza poderia encantar com sua qualidade, com frequência preferia irritar por sua indolência. Isso sem contar as partidas em que, apesar de displicente para jogar, se mostrou profundamente intenso na hora de agredir, com expulsões bizarras em jogos críticos, que ajudaram a minar ainda mais a paciência da torcida.
Mas se tem uma coisa que o Flamengo sabe fazer, essa coisa é oferecer oportunidades de redenção. Léo Pereira, que já saiu de campo vaiado quando era lateral-esquerdo no time de Rogério Ceni, hoje é titular incontestável da zaga e jogador de seleção. Varela, que já esteve entre os mais questionados do elenco, hoje é uma das armas secretas do time. Até mesmo o artilheiro Pedro, já viveu aquele bizarro momento em que a mídia paulista alegava que a mãe dele ficava chorando no estádio ao ver o filho no banco de reservas.
Pois se Carrascal quer mesmo se redimir aos olhos da nação, na partida de ontem, diante do Mirassol, ele deu um passo importante. Isso porque na goleada de 5×1, que ajudou o Flamengo a reduzir ainda mais sua distância para o líder do campeonato, o colombiano foi o principal destaque, com um gol, duas assistências e possivelmente sua melhor atuação desde que chegou ao Rio de Janeiro, um ano atrás.
E se damos crédito a Carrascal – assim como Paquetá, Pedro e até mesmo Ayrton Lucas, que junto com o restante do time, tiveram grande atuação – é preciso elogiar também Leonardo Jardim. Reconhecendo a má fase de Jorginho, o treinador lançou Paquetá como segundo volante, melhorando nossa armação, além de outras alterações que serviram não apenas para rodar o time como também para testar opções visando o jogo decisivo desta quarta.
Entradas como a de Carrascal e Luiz Araújo, além da titularidade de Plata e o retorno de Pedro, permitiram que o Flamengo praticasse o futebol ofensivo que precisava, diante de um adversário frágil e numa rodada onde vencer era essencial pras nossas ambições de título brasileiro. Tomamos um gol bobo e desnecessário numa bola cruzada? Sim, mas se sempre que o time vacilar na defesa ele compensar com esse volume de acertos no ataque, não fica exatamente complicado perdoar.
Tivemos então uma dessas noites em que tudo deu certo, desde a ideia que veio do banco até a maneira como ela foi executada dentro de campo. Obviamente, para muita gente nesse time, desde Leonardo Jardim até Ayrton Lucas, passando pelo destaque Carrascal, ainda existe um longo caminho, seja para compensar erros do passado ou convencer a torcida de que ainda merecem espaço no futuro. Mas se tem algo capaz de mudar opiniões e convencer torcedores, essa coisa é a vitória. Que venha mais uma nesta quarta pra que possamos todos estar elogiando, mais uma vez, as pessoas que xingamos em semanas anteriores.
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