A divulgação do déficit de R$ 33,8 milhões no primeiro semestre de 2026 provocou uma reação nos bastidores do Flamengo. Um grupo de 12 conselheiros protocolou dois documentos na secretaria do clube cobrando mais transparência da diretoria e a volta da divulgação do orçamento anual, interrompida desde 2025.
Um dos documentos, chamado de “ofício de exigência de transparência e cumprimento estatutário”, foi destinado a Ricardo Lomba, presidente do Conselho Deliberativo. O outro, intitulado “requerimento de fiscalização orçamentária e apuração de responsabilidade”, foi encaminhado a Paulo Roberto Gomes, presidente do Conselho Fiscal.
Os conselheiros acusam Ricardo Lomba de “omissão na fiscalização orçamentária” ao apontarem que o presidente do Conselho Deliberativo não apresentou relatórios de acompanhamento da execução orçamentária em 2025. O grupo também pede a apresentação dos documentos referentes ao primeiro semestre de 2026, com “o espelhamento das rubricas previstas e o déficit realizado de R$ 33,8 milhões”.
Em relação a Paulo Roberto Gomes, os conselheiros pedem que a diretoria seja intimada a apresentar o orçamento de 2026 em até 48 horas.
Além disso, os conselheiros solicitaram uma avaliação sobre a aplicação do artigo 146 do Estatuto do Flamengo, que prevê a suspensão da autonomia do Conselho Diretor em determinadas situações financeiras. O pedido tem como base o inciso III do artigo, que trata dos casos em que o déficit acumulado ultrapassa o limite orçado.
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Artigo 146 do Estatuto do Flamengo
“Art. 146 – Fica automaticamente suspenso a autonomia do Conselho Diretor para celebrar acordos e contratos, inclusive empréstimos e antecipação de receitas, mesmo nos limites aprovados no orçamento de caixa, se:
I – a proposta de orçamento anual não for entregue ao Conselho de Administração no prazo previsto no artigo 140 deste Estatuto;
II – houver atraso superior a trinta dias no envio dos balancetes mensais para apreciação do Conselho Fiscal;
III – comprovado, por meio dos balancetes trimestrais, que no resultado acumulado do exercício corrente, o superávit é inferior, ou o déficit superior, em três por cento do faturamento previsto no orçamento aprovado;
IV – comprovado que o percentual excedente ao limite de despesa total mensal com pessoal, estipulado no inciso VIII do artigo 145 deste Estatuto, não foi eliminado nos cento e oitenta dias posteriores à ciência do fato;
Parágrafo único – A perda de autonomia de que trata o caput deste artigo implica a necessidade de prévia aprovação de todos os acordos, contratos empréstimos e antecipações de receita pelo plenário do Conselho de Administração, enquanto perdurarem as irregularidades referidas nos incisos anteriores”.
Os dois documentos citam ainda o segundo parágrafo do artigo 69 do Estatuto do Flamengo, que prevê responsabilidade solidária de presidentes e vice-presidentes em casos de prejuízos e atos lesivos ao clube “quando procederem com culpa no desempenho de suas funções”.
Os documentos protocolados na secretaria do Flamengo são assinados por Alvaro Luiz Ferreira, Carlos Bogel Borges, Eduardo Olivieri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Julio Cesar Gomes da Silva, Julio Frederico Pollastri Gomes da Silva, Luiz Desiderati Junior, Marcelo Haberlehner, Marcelo Vargas, Maria Cristina da Cruz Silva, Otabio Katsuo Nakamura e Wallim Cruz de Vasconcellos Junior.
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Por que o Flamengo parou de divulgar o orçamento
A prática de divulgar os orçamento no Portal de Transparência começou ainda na gestão Eduardo Bandeira de Mello, em 2013, e segui presente quando Rodolfo Landim estava na presidência. Contudo, o presidente Luiz Eduardo Baptista decidiu encerrar o processo de divulgação quando assumiu em 2025.
Em janeiro, o Rubro-Negro informou ao Jornal do Fla que “a publicação do orçamento não é uma obrigação estatutária do clube” e que o documento seguiria apenas o procedimento interno. Justamente o que aconteceu, mas a ação dos conselheiros pode mudar essa decisão ainda neste ano.
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