O Flamengo encerrou os nove primeiros meses de 2026 com superávit de R$ 4,5 milhões. O resultado foi alcançado depois de um saldo positivo de R$ 38,3 milhões no terceiro trimestre, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pelo clube nesta sexta-feira (30).
O documento também registra receita recorrente bruta recorde de R$ 1,17 bilhão até setembro, crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025. Essa categoria exclui as vendas de atletas.
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Os números ajudam a compreender a operação rubro-negra, mas precisam ser lidos junto da revisão orçamentária que passou a projetar déficit entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões no ano. Os dois dados tratam de períodos e naturezas diferentes.
Por que o superávit não elimina a previsão de déficit?
O balanço apresenta o resultado realizado entre janeiro e setembro. A revisão do orçamento estima o fechamento de todo o exercício, incluindo o último trimestre.
Portanto, o saldo positivo até setembro não confirma que o Flamengo terminará dezembro no azul. Da mesma forma, a previsão de déficit não significa que o resultado negativo já estava registrado no encerramento do terceiro trimestre.
A atualização do planejamento também passou a considerar receitas menores do que as esperadas inicialmente. CO orçamento anterior projetava superávit de R$ 180 milhões.
Entre os fatores abordados estão arrecadação inferior à meta com negociações de jogadores e a ausência de receitas previstas com os naming rights do Maracanã. A tentativa frustrada de vender Plata ao Dínamo de Moscou também foi citada na revisão do cenário.
Investimentos em atletas atingem recorde
O relatório registra R$ 667,7 milhões em investimentos contabilizados em atletas até setembro, maior volume do clube para esse período.
O valor reúne direitos econômicos, luvas e comissões de contratações e renovações. No terceiro trimestre, as movimentações incluíram Joaquín Freitas, Anthony Valencia e a renovação de Erick Pulgar.
Outro componente é a amortização dos direitos sobre jogadores, que somou R$ 293 milhões nos nove meses. Trata-se da distribuição contábil desses investimentos ao longo dos contratos, e não de um desembolso equivalente realizado naquele momento.
Eliminações afetam oportunidades de arrecadação
A leitura do balanço também precisa considerar o calendário esportivo posterior a setembro.
A eliminação para o Estudiantes na Libertadores, em outubro, encerrou a possibilidade de receber premiações adicionais por uma classificação à final ou pela conquista do título.
Esses valores potenciais não podem ser tratados automaticamente como dinheiro que já pertencia ao clube. O impacto sobre o orçamento depende das metas originalmente previstas.
Na Copa do Brasil, a cobertura do Jornal do Fla apontou diferença entre a campanha planejada e a efetivamente alcançada. Esse contexto ajuda a explicar por que uma operação com receitas elevadas pode, ainda assim, exigir revisão das projeções para o encerramento da temporada.
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