
Muita coisa pode fazer a diferença numa partida de futebol. Apoio ou pressão da torcida? Pode fazer a diferença. Arbitragem ruim? Pode fazer a diferença. Preparação física? Afeta também. Organização tática? Pesa muito. Fatores externos dos mais aleatórios, que vão desde a altitude até seu zagueiro ter terminado relacionamento recentemente? Pesa, não vamos negar. Mas sabe um fator que pesa desde sempre e quase nunca vai parar de pesar? É o craque, é o fora de série, é o jogador diferenciado.
A diferença que o volante Jorginho faz nesse time do Flamengo, por exemplo. A maneira como ele enxerga os espaços, orienta os colegas de equipe, acalma o jogo quando ele está apressado demais e acelera a jogada quando é isso que vai gerar a chance de gol. Sem Jorginho o Flamengo perde em saída de bola, organização e, sendo bem claro e direto, também em inteligência. Jorge Luiz Frello Filho é diferenciado, não apenas como padrasto que protege enteada de diva pop, mas também como meio-campista que muda os rumos de uma partida.
Ou a diferença que faz um jogador do quilate de Lucas Paquetá. Cria da Gávea, voluntarioso, habilidoso, talvez o mais próximo que a gente tenha hoje de um torcedor dentro de campo. Abriu mão da Europa para realizar o sonho de voltar ao Flamengo, onde nem é titular absoluto mas já faz a temporada mais artilheira da sua carreira. E ontem, diante do Bahia, nos brindou com um golaço desses de coletânea do Youtube, que nasce de um chapéu dado de cabeça, avança pra um corte seco no defensor e termina com um chute sem chance pro goleiro. Se esse homem não serve pra seleção brasileira, azar da seleção.
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Mas o Flamengo não é só eles. É a zaga já histórica dos dois Léos, Pereira e Ortiz, a loucura infindável de Bruno Henrique, o jogador de 35 anos que entra no segundo tempo não pra ritmar a partida, mas pra aprontar correria. São os bons dias dos instáveis Carrascal e Plata, a guerra sem fim que Pulgar trava contra seus adversários e também contra as vozes em sua cabeça que dizem apenas “matar, matar, matar”.
Claro que neste domingo nem todos desequilibraram a nosso favor. Emerson Royal, que não tem vida fácil como lateral-direito, penou sim ao ser improvisado na lateral-esquerda, ainda que sem comprometer. Assim como segue sendo preocupante acompanhar o processo de “paologuerreirização” de Pedro, onde o nosso centroavante parece confortável realizando todas as funções de ataque, menos a de empurrar a bola para dentro do gol. Diante do Bahia foram ao menos duas chances absurdas perdidas e nem pareceu displicência, pareceu falta de capacidade de bater na bola com força ou sem mirar no mamilo do goleiro adversário.
Só que a despeito de qualquer problema pontual – Rossi também precisa calibrar um pouco mais seu pé se quiser evitar acidentes – a realidade é que, coletivamente, o Flamengo sobrou, numa partida fora de casa, contra um adversário que briga por Libertadores. Foram três gols mas poderiam ter sido quatro, cinco ou seis, de um time que conseguiu se impôr e voltar a exibir, na prática, a superioridade que existia no papel.
E não existe descanso. Quinta temos outra decisão, pela Libertadores, em que qualquer vitória já nos leva pra final. E segunda outra decisão, pelo Brasileiro, porque agora, até o fim do ano, todos os jogo vão ser assim, decisivos. E como vimos ontem, jogadores também decisivos e diferenciados, dos que nasceram pra jogos assim, é o que não falta nesse time do Flamengo.
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