Tem dias em que não dá pra dar show. Tem dias em que não dá pra jogar bem. Tem dias em que nem dá pra jogar. E tem dias, como o de ontem, na Argentina, em que parece virtualmente impossível praticar qualquer coisa remotamente parecida com futebol profissional por um minuto corrido que seja.
E foi mais ou menos esse o cenário do primeiro jogo da semifinal da Libertadores entre Flamengo e Estudiantes, disputado em La Plata. Lá as duas equipes decidiram apresentar ao público a sua própria versão do Paradoxo da Força Irresistível, só que ao invés de uma força imparável contra um objeto imóvel, o que tivemos foi uma equipe incapaz de fazer gol enfrentando um time que não tinha intenção alguma de mexer no placar.
Isso porque a equipe do Estudiantes tentou. Mesmo com menos posse de bola, com menor qualidade técnica, com um lateral esquerdo sósia do ator Timothée Chalamet, a equipe argentina fez o que se esperava dela, com muita aplicação tática, agressividade exagerada e muita conivência da arbitragem em ao menos duas tentativas de retirada de short dos atletas rubro-negros.
Mas as próprias limitações da equipe e a noite segura de Rossi, que não precisou realizar grandes defesas mas também não se complicou quando foi exigido, acabaram frustrando qualquer expectativa argentina de chegar ao Rio de Janeiro em vantagem.
Já do outro lado, você tinha um Flamengo que viajou em busca do empate e não iria aceitar nenhum placar diferente disso, nem mesmo uma vitória. Ainda que sem correr grandes riscos, o time exibia baixíssima capacidade de articulação de jogadas, errava passes simples, tomava decisões no mínimo questionáveis e contou com Leonardo Jardim para atrasar ao máximo qualquer substituição que desse mais fôlego ou potencial ofensivo para o time.
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O resultado era um Flamengo que não parecia querer fazer gols e, diante da incapacidade do adversário de tirar o zero do placar, não necessariamente precisava que qualquer gol fosse feito. Se o Estudiantes tentava muito e acertava pouco, a sensação era que o Flamengo ficava com a bola sem a intenção de acertar nada, apenas para garantir que o tempo passasse o mais rápido possível.
Com isso tivemos um empate que, ainda que ruim pro time de La Plata e horrível pra qualquer pessoa que goste de assistir futebol, foi bastante positivo para o Flamengo, que precisa apenas de uma vitória simples, no Maracanã lotado, para chegar na sua sexta final de Libertadores, em busca da sua quinta conquista.
Um Maraca que contará não apenas com a torcida, mas também com o retorno de Jorginho, que visivelmente fez falta na noite de ontem, dada a dificuldade de articulação e saída de bola do time no meio de campo e também o índice absurdo de erros de passe. E essa pode ser a senha para que esse Flamengo, que jogou tão pouco neste meio de semana, jogue tudo que precisa para chegar em Montevidéu.
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