O treino do Flamengo desta segunda-feira (5) chamou a atenção dos torcedores que acompanharam as imagens divulgadas pela FlamengoTV. Pela primeira vez, os jogadores rubro-negros foram a campo sem a marca da Betano, patrocinadora master do clube, visível na camisa.
A mudança ocorre após a entrada em vigor da Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25 de setembro, que restringe a publicidade relacionada a apostas de quota fixa no Brasil. Conforme estabelecido pela MP, os clubes tinham até as 23h59 de hoje para retirar todos os materiais publicitários e sinais de patrocínio relacionados às bets.
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Nas imagens publicadas pela FlamengoTV, é possível observar que o clube optou por colocar uma fita adesiva sobre a marca da Betano estampada na parte central frontal da camisa em alguns uniformes. Outros jogadores, entretanto, treinaram com peças que já estavam sem a marca da patrocinadora.
Na última semana, os treinos do Flamengo ainda contavam com a marca da Betano nos uniformes. Contudo, nas redes sociais, o clube já vinha publicando imagens dos uniformes sem a marca da patrocinadora. Nesta segunda-feira, na reapresentação do elenco após a data FIFA, o clube optou por antecipar a mudança.
Entenda o cenário da Medida Provisória
A Medida Provisória assinada pelo presidente Lula proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A MP tem força de lei desde sua publicação, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional.
Além da retirada dos anúncios, sites e aplicativos das empresas de apostas deverão sair do ar a partir desta terça-feira (6).
A partir da publicação da Medida Provisória, o governo não permitirá mais novas publicidades relacionadas a bets, como em camisas e outros espaços publicitários.
Flamengo lidera clubes que pressionam por mudanças
A decisão provocou reação de dirigentes e movimentações no Supremo Tribunal Federal (STF). Clubes protocolaram um pedido para participar da ação que questiona a constitucionalidade da MP. Eles defendem a suspensão dos efeitos da medida e um período de transição maior para os contratos existentes.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também criticou publicamente a decisão de restringir as bets. Em pronunciamento à Flamengo TV, o dirigente estimou um impacto de R$ 400 milhões nas receitas do clube e questionou como manter compromissos financeiros assumidos anteriormente.
O Governo Federal, por sua vez, justifica as medidas pelos efeitos das apostas sobre o endividamento das famílias e a saúde pública. Entidades do setor questionam a decisão no STF, mas, até o momento, o calendário de retirada da publicidade permanece em vigor.
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