O contrato da Betano colocou o Flamengo em um patamar inédito de receita com patrocínio máster, mas também criou um desafio difícil de reproduzir caso as casas de apostas percam espaço no futebol brasileiro. A empresa paga R$ 268,5 milhões por temporada ao Rubro-Negro em vínculo válido até o fim de 2028.
Em meio às discussões sobre possíveis restrições ao setor, o Jornal do Fla ouviu Amir Somoggi, diretor da Sports Value e especialista em marketing e gestão esportiva. Para ele, dificilmente uma empresa de outro segmento simplesmente ocuparia o espaço da Betano repetindo o mesmo valor, mas o cenário também pode abrir outras oportunidades comerciais ao Flamengo.
“Na prática, esse valor realmente que o Flamengo recebe da Betano está totalmente fora da realidade. Eu sei que o Flamengo é muito grande e tudo, mas quando comparado às entregas de times europeus, por exemplo, que ganham valores similares, as entregas são muito mais globais, têm muito mais retorno.”
Somoggi entende, no entanto, que uma eventual perda não precisa ser analisada apenas pela procura de outra empresa disposta a colocar quase R$ 270 milhões no espaço máster. A oportunidade estaria também em aumentar a presença e a ativação de marcas de diferentes setores.
“Então é um valor que vai sentir, mas ele pode alterar a perda com setores muito mais importantes. Ele tem até alguns, como o caso da Shopee, mas ativa muito pouco.”
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Atualmente, a Shopee já ocupa a manga do uniforme rubro-negro em um acordo de R$ 12 milhões anuais. O Flamengo também possui parceiros de segmentos como financeiro, saúde, automotivo e consórcios, dentro de um uniforme que ultrapassa R$ 460 milhões em receitas anuais considerando as diferentes propriedades.
Quais setores podem ganhar espaço no Flamengo?
Em artigo publicado no Poder360, Somoggi aponta uma série de mercados com potencial para ampliar investimentos no futebol em um eventual cenário de redução das bets. Entre eles estão serviços financeiros, meios de pagamento, varejo, tecnologia, veículos, telecomunicações, alimentação, bebidas, saúde e bem-estar, construção, delivery, streaming e eletroeletrônicos.
A análise parte da ideia de que o valor de uma parceria não deve ser medido apenas pelo cheque entregue ao clube. Para Somoggi, empresas de consumo podem oferecer possibilidades maiores de ativação e aproximar patrocinador, clube e torcedor em projetos capazes de gerar receitas adicionais.
Isso também muda a discussão sobre uma eventual substituição da Betano. Em vez de necessariamente encontrar uma única empresa capaz de reproduzir o atual contrato, o Flamengo poderia explorar novas propriedades, ampliar acordos existentes e construir parcerias comerciais com maior capacidade de ativação.
Barcelona e Spotify são referência para Flamengo
Somoggi usa Barcelona e Spotify como principal exemplo do modelo que considera interessante para o Flamengo. A parceria extrapola a exposição tradicional da marca na camisa e utiliza artistas ligados à plataforma em ações especiais nos jogos do clube espanhol.
“O Flamengo tendo um Spotify na camisa, por exemplo. Então, só para dar um exemplo de que não é só questão de valor. Hoje o Barça vale muito mais, não pela grana que ele recebe do Spotify, que é enorme, cerca de 70 milhões de euros por ano, mas principalmente pelo que o Spotify representa em termos de marketing para a sua marca.”
Entre as ativações está a substituição temporária do símbolo do Spotify por identidades de artistas em partidas especiais. Segundo Somoggi, versões colecionáveis dessas camisas chegaram a custar 1.416 euros, diante de cerca de 170 euros de uma versão convencional.
O especialista também aponta a Fórmula 1 como exemplo de um mercado que precisou se reorganizar depois da restrição aos patrocínios de empresas de tabaco. Atualmente, tecnologia e serviços financeiros estão entre os maiores investidores comerciais da categoria, movimento que ele considera uma referência possível para o futebol.
Assim, mesmo reconhecendo que a perda de um contrato do tamanho da Betano teria impacto relevante, Somoggi enxerga espaço para o Flamengo construir um modelo diferente. Mais do que encontrar outra marca disposta a pagar o mesmo valor, o desafio passaria por ampliar a capacidade comercial do clube e transformar patrocinadores em parceiros com maior participação na exploração da marca rubro-negra.
- Com estilo retrô, inspirado no uniforme de 1981, com detalhes que remetem ao período de ouro do clube.
- Leve e confortável, ideal para acompanhar os jogos do Flamengo com muito estilo
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