
São vários os efeitos que um ambiente de extrema altitude pode ter no corpo humano. O ar rarefeito pode causar falta de ar e dor de cabeça, por exemplo. Tontura e enjoo também podem ser comuns. Assim como fadiga, fraqueza, perda de apetite e náuseas, chegando a prejudicar até mesmo a capacidade de algumas pessoas de dormir.
Mas nos 2850 metros de altitude do Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, o Flamengo acabou mostrando para o Independiente del Valle, que outros fatores podem causar efeitos muito parecidos. A dor de cabeça de ter que impedir o interminável Bruno Henrique de decidir mais um jogo de Libertadores. A tontura de quem tenta acompanhar a movimentação ousada e sinuosa de Samuel Lino. E claro, todos os passes do nosso mago Jorginho que irão povoar os pesadelos da defesa equatoriana nesta noite.
Porque não teve indisponibilidade de oxigênio no ar que conseguisse compensar a imensa disponibilidade de qualidade da equipe rubro-negra. Obviamente era possível notar diferenças na postura do time. No primeiro tempo eram visíveis os erros não provocados, a dificuldade para realizar certas jogadas, a aparência de um grupo que estava ainda medindo onde poderia ir sem se esgotar. Alguns vacilos foram cometidos, a equipe do Del Valle dominava as ações e diante do desempenho na etapa inicial, o 0x0 parecia um ótimo placar.
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Só que o time que antes só jogava os primeiros tempos decidiu que na noite desta quinta-feira daria, no segundo tempo, uma aula de Libertadores. Primeiro com um genial passe de Jorginho que encontrou o futuro Bola de Ouro Samuel Lino livre para rolar macio para Bruno Henrique abrir o placar. O mesmo Bruno Henrique que está desde 2019 garantindo nossos resultados e alegrando nossa nação. Um busto é pouco, uma estátua do tamanho do Cristo ainda não faz jus, talvez seja o caso de mudar o nome do bairro Catete para “Bruno Henrique” pra que ele possa estar eternamente ao lado do Flamengo.
Depois foi a vez dele, o sempre criticado mas nunca omisso Emerson Royal, acertar um cruzamento certeiro na testa desse verdadeiro mistério da biologia que é o zagueiro Léo Pereira – afinal, como pode este cidadão ser fruto de um trisal entre três homens, sendo eles Beckenbauer, Maldini e Mozer? Dois a zero, uma vantagem imensa nas quartas de final da Libertadores e um lembrete de que sim, a altitude é perigosa, mas um time de qualidade jogando futebol em alto nível é mais perigoso ainda.
E o Flamengo, que há alguns jogos atrás parecia ainda irregular, às vezes vencendo, às vezes convencendo, com frequência jogando um tempo, raramente dois, parece estar cada vez mais se encontrando. A defesa cada vez mais sólida, o meio cada vez mais criativo, o ataque encontrando a eficiência que tantas vezes havia faltado.
O resultado é a liderança do brasileiro e um passo muito importante rumo às semifinais da Libertadores. Dois torneios em que obviamente muita coisa ainda pode e vai acontecer, mas que são os verdadeiros objetivos do Flamengo na temporada e parecem ficar cada vez mais ao nosso alcance. Porque seja na altitude que for, seja diante do adversário que for, com a bola que estamos jogando, esse pode sim ser mais um ano pra fazer história.
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