
É um momento canônico na infância de quase todo menino. Primeiro você tem a bicicleta com rodinhas laterais, para garantir estabilidade, mas conforme você cresce, chega a hora delas saírem. Algum adulto responsável vai segurando a bicicleta, inevitavelmente te solta, e você começa a andar por conta própria.
No começo inseguro, titubeando, preocupado, mas conforme vai ganhando confiança, começam as ousadias. E é aí que vem o “olha, mãe, com só uma mão” ou “olha, pai, sem as mãos”, que é a sua forma de sinalizar que, o que antes era complicado pra você, agora é tão fácil que pode ser feito com menos recursos, menos atenção.
E vendo as partidas recentes da equipe rubro-negra, a sensação é que o Campeonato Brasileiro é um grande passeio de bicicleta que os comandados de Leonardo Jardim acham tão fácil, tão tranquilo, que eles estão praticamente gritando pra torcida “olha, nação, sem meia hora de partida” ou até mesmo “olha, nação, sem o segundo tempo”.
Porque o que vimos ontem, diante do Mirassol, na quarta rodada do Brasileirão – que por motivos de calendário aconteceu logo depois da vigésima quinta – foi mais um primeiro tempo onde o Flamengo amassou, sufocou, triturou, esmagou, sovou, e por que não dizer, esmerilhou seu adversário de maneira cruel e impiedosa.
45 minutos de grande futebol, nosso time em altíssima rotação, Carrascal com um gol e uma assistência, Paquetá ampliando de cabeça, um time que não só queria resolver o jogo como ainda queria gerar vídeos pra gringo compartilhar em rede social dizendo que “isso é o futebol brasileiro de verdade”. Um Flamengo que queria vencer, convencer e ainda fazer relações públicas pro esporte e pro país como um todo.
Mas como de praxe, no segundo tempo tudo mudou. A rotação baixou, a eficiência sumiu, o que antes era um amasso deixou de ser até mesmo uma leve massagem e no final o Flamengo já estava até mesmo correndo risco real de sofrer gols, seja em cruzamentos onde a defesa ficava perdida ou bolas de fora da área que ninguém parecia se importar em marcar.
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Ainda assim os três pontos vieram? Claro, graças a um primeiro tempo espetacular e às fragilidades do adversário, que não conseguiu tirar proveito de mais um segundo tempo de total indigência esportiva, tática e anímica da equipe rubro-negra. Mas não deixa de ser preocupante que, mais uma vez, o Flamengo tenha decidido abrir mão de quase 50% do tempo total da partida.
Seria interessante entender o quanto antes as razões dessa constante queda de rendimento na segunda metade das partidas. É uma questão física? É um problema psicológico? É realmente a soberba de uma equipe que acredita não precisar de dois tempos para resolver os jogos? Como pode um problema já reconhecido por torcida, jogadores e comissão técnica, continuar sem solução?
Porque ontem, mais uma vez, o Flamengo conseguiu resolver a partida mesmo sem jogar metade do jogo. E deu tudo certo, garantimos a vitória, estamos a apenas um ponto de distância do líder do campeonato. O receio é que, como acontece com vários meninos que decidem andar de bicicleta sem as mãos, em algum momento isso acabe gerando um tombo desnecessário, numa hora que a gente não esperava.
- Ventilação e Conforto: A coroa em tramas de mesh oferece excelente respirabilidade, mantendo sua cabeça fresca
- Cabedal em material resistente, garantindo durabilidade e proteção
- Design Elegante: Cor preta com o escudo do Flamengo bordado, simbolizando o amor pelo time
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