
Finalmente a equipe rubro-negra voltou a vencer. Após dois empates igualmente frustrantes e constrangedores, diante de São Paulo e Internacional, o Flamengo conseguiu, até com relativa tranquilidade, vencer, dentro de casa, o Vitória, uma equipe que luta contra o rebaixamento.
“Relativa tranquilidade” porque não, o Flamengo não correu grandes riscos. Durante o primeiro tempo houve muita superioridade na posse de bola, controle das ações, e salvo alguns momentos durante a segunda etapa, nunca existiu realmente a sensação de que os baianos ofereciam perigo real.
Mas ao mesmo tempo, é impossível afirmar, sem consumir ao menos uma garra pet de otimismo líquido concentrado, que a equipe de Leonardo Jardim realizou um grande jogo. Isso porque mesmo diante de uma equipe inferior e cansada, mesmo dentro do Maracanã e com uma semana a mais de treino, o Flamengo segue apresentando basicamente os mesmos defeitos das partidas anteriores.
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É a posse de bola que não resulta em grandes chances, é uma absoluta falta de eficiência, é uma profunda indolência diante de qualquer mínima vantagem que resulta num time totalmente pró-vida, incapaz de matar um jogo, por mais que o próprio jogo pareça querer desesperadamente morrer.
Carrascal segue menos focado em resultados e mais em gerar trechos pra algum vídeo de jogadas bonitas do Youtube, Pedro parece estar preso numa partida de FIFA Street onde você pontua dando passe de calcanhar, Jorginho claramente ainda é vítima de todo o pensamento negativo gerado pelos fãs da cantora Chappel Roan.
O resultado disso é um time que, mesmo diante de partidas fáceis, de adversários fragilizados, não consegue criar oportunidades com a facilidade que deveria ou apresentar um modelo de jogo que consiga empolgar qualquer torcedor minimamente crítico.
Mas se os problemas seguem sendo os mesmos, as soluções, quando surgem, também são as de sempre. Pulgar, que já havia marcado um belíssimo gol de fora da área conta o Vitória, marcou outro, abrindo o placar. E Bruno Henrique, exatamente naquele momento em que a equipe rubro-negra parecia ter decidido sentar na vantagem até tomar um empate na bola vadia, resolveu a partida com um belo chute após passe de Carrascal, num dos raros momentos em que o colombiano decidiu fazer a jogada mais eficiente e não a que ficaria melhor no vídeo.
Então sim, o Flamengo venceu e reduziu a diferença de pontos para o líder do campeonato, o que é ótimo. Mas o futebol desse mesmo Flamengo convence alguém? A maneira como esse time joga, é capaz de empolgar o torcedor? Vendo a dificuldade de marcar dois gols num time mais fraco, cansado e que luta pra não cair, é possível acreditar que essa equipe rubro-negra tem condições de levantar taças? A sensação é que não, mas a única torcida possível é para que, a despeito do bom senso, a resposta seja sim.
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