
A Copa do Mundo acabou e o Campeonato Brasileiro voltou, amigos. É hora de dizer tchau para os gramados impecáveis e se reaclimatar aos pastos, sejam eles naturais ou sintéticos; de se despedir dos lançamentos de 50 metros direto no pé e se preparar para os passes errados de três metros que geram contra-ataque; de aceitar que os melhores jogadores do mundo estão presentes na sua vida um mês durante quatro anos, mas alguns dos piores que você já viu na vida vão aparecer duas vezes por semana o ano todo.
E poucos jogos cumpririam tão bem a função de nos lembrar o que é o verdadeiro futebol quanto o Chapecoense x Flamengo que testemunhamos nesta noite de quarta-feira, a primeira partida da equipe rubro-negra pelo Brasileirão após a pausa da Copa.
Porque a equipe de Chapecó, última colocada do Brasileirão, com metade dos pontos do penúltimo colocado, é um dos raros casos de real meritocracia na nossa sociedade. Isso porque, sem a ajuda de ninguém, sem depender de qualquer fator externo, a equipe alviverde conseguiu chegar à laterna por puro merecimento. São lances absurdos, jogadas bizarras, ontem tivemos um gol contra em que um defensor empurrou o outro na disputa aérea, os dois pediram falta.
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Mas o Flamengo, obviamente, não tinha nada a ver com isso. Se a defesa da casa parecia incapaz de segurar uma tartaruga com as patinhas amarradas, ótima oportunidade para Pedro aproveitar e fazer mais um lindo gol. Se o zagueiro não sabe proteger uma bola, grande chance para mais uma etapa da turnê de reabilitação do atleta Lorran, que saiu do Flamengo sob a crítica de “você é fraco, te falta ódio” e parece ter voltado profundamente revoltado com tudo.
Só que mesmo a partida contra o lanterna sendo teoricamente o jogo mais fácil do campeonato, ele ainda não foi fácil o bastante para alguns jogadores. Um exemplo? Ayrton Lucas, o Cucurella do mundo invertido, o Nuno Mendes reverso, o Theo Hernandez com a polaridade trocada. Ainda que num jogo tranquilo, diante de um adversário já desenganado pela tabela e praticamente sem obrigações defensivas, nosso lateral-esquerdo conseguiu, mais uma vez, errar tudo que tentou. Cruzamentos? Só pela lateral ou linha de fundo. Passes? Sempre mais próximos do adversário que do colega de time. Marcação? Ele provavelmente nem conhece essa palavra e quando falam disso apenas balança a cabeça e finge que entendeu.
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Então sim, foi fácil e claro, tivemos uma goleada gostosa, dessas que animam o torcedor. Mas é visível que, como teste, uma partida dessas não serve pra nada além de nos lembrar que sim, no Brasil se pode disputar partidas no matagal molhado; claro, nosso treinador é burro o bastante pra colocar o Plata, recém-chegado da Copa, num campo pesado; e óbvio, nossa lateral-esquerda segue entre um bom lateral já em fim de carreira, um terrível lateral no auge de sua incapacidade e um jovem da base que nem lateral de origem é.
Desafios mais complicados virão e precisamos melhorar bastante se queremos alcançar o líder do campeonato e vencer a Libertadores. As notícias sobre reforços parecem promissoras, assim como as boas atuações de Lorran e Samuel Lino, mas cabe a Leonardo Jardim fazer com que esse time possa oferecer ainda mais durante esse segundo semestre. Pra ganhar da Chapecoense, isso dá e sobra. Mas infelizmente nem todo adversário vai ser tão Chapecoense assim.
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