Após 17 anos, Flamengo e Lubrax retomam a parceria e a empresa voltará a estampar a camisa do Flamengo. O Conselho Deliberativo aprovou nesta segunda-feira (20) o novo contrato com a Vibra Energia, dona da marca, que colocará o patrocinador nas costas do uniforme a partir de 1º de outubro.
O clube não revelou valores oficialmente, mas o contrato será válido por três anos e com montante mínimo de R$ 24,5 milhões, podendo subir por variáveis contratuais. É valor acima do que a Hapvida paga atualmente, de R$ 23 milhões, que passa a ocupar o espaço interno do número no lugar da Texaco.
Embora a marca tenha ficado conhecida durante décadas como um produto da Petrobras Distribuidora, hoje ela pertence à Vibra Energia, , empresa privada que sucedeu a antiga BR Distribuidora após sua privatização em 2019.
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A história de Flamengo e Lubrax
O retorno da Lubrax encerra um hiato de 17 anos e resgata a parceria comercial mais longa da história do futebol brasileiro. Entre 1984 e 2009, a marca esteve presente em praticamente todas as grandes conquistas rubro-negras.
Como tudo começou: a primeira aproximação, em 1981
A relação entre Flamengo e o universo da Petrobras Distribuidora, na verdade, quase começou antes, e com outra marca. Em dezembro de 1981, durante o Mundial Interclubes contra o Liverpool, em Tóquio, dirigentes rubro-negros foram procurados por executivos da Toyota, que patrocinava a competição. A proposta, de US$ 100 mil mensais, não animou o clube.
A publicidade nas camisas dos times brasileiros só foi liberada em maio de 1982, pelo então Conselho Nacional do Desporto. Ceará, Internacional, Atlético-MG, Corinthians e São Paulo foram alguns dos primeiros grandes clubes a aderir. O Flamengo demorou mais para embarcar na novidade.
1984: o primeiro contrato e a estreia da Lubrax no Manto
O acordo entre Flamengo e Petrobras Distribuidora foi fechado no início de abril de 1984, e anunciado publicamente em 6 de abril, dois dias antes da estreia da marca em campo. O contrato inicial pagava 60 milhões de cruzeiros para exibir o Lubrax nos seis jogos que o time faria pela terceira fase do Brasileirão daquele ano.
A estreia aconteceu em 8 de abril, no Maracanã, em vitória por 3 a 0 sobre o América-RJ, com gol de Edmar. Como o Flamengo avançou também à fase de grupos da Libertadores, a Petrobras Distribuidora pagou outros 90 milhões de cruzeiros para manter a publicidade nas três partidas restantes da competição continental.

O desenho inicial, com a palavra “Lubrax” em letras pretas sobre um retângulo amarelo, durou apenas cinco jogos. Foi rapidamente substituído pelo modelo que ficaria mais associado à parceria: o nome em letras brancas, direto sobre a faixa preta da camisa.
Ainda em 1984, animada com o retorno obtido, a empresa ofereceu um contrato mais robusto, com cotas mensais de 70 milhões de cruzeiros, válido até o fim daquele ano. A parceria também se estendeu ao basquete rubro-negro, que estreou a marca em outubro daquele ano.
1985 a 1993: expansão da parceria e primeiros grandes títulos
A partir de 1985, o vínculo passou a ter duração de uma temporada inteira, deixando de ser um contrato por “pacotes” de jogos. O novo acordo, de 10 mil ORTN mensais, passou a contemplar todos os esportes do clube, e não apenas o futebol.
Foi também nesse período que Flamengo e Lubrax consolidaram uma das associações mais emblemáticas do esporte brasileiro. A marca esteve presente em algumas das principais conquistas rubro-negras, como os Campeonatos Brasileiros de 1987 e 1992, a Copa do Brasil de 1990 e diversos títulos estaduais, tornando-se parte da identidade visual de uma geração de torcedores.
Ao longo desses anos, a identificação entre clube e patrocinador só aumentou. Em 1987, o Flamengo recusou uma proposta da Perdigão para o time masculino de vôlei, que incluiria a contratação de craques como Bernard e Bernardinho. No ano seguinte, também rejeitou uma oferta da Coca-Cola.

1993 a 2003: renovação, valorização e um contrato abaixo do mercado
No início da década de 1990, o contrato foi renegociado. Em 1993, a remuneração anual passou de US$ 300 mil para US$ 380 mil e, pela primeira vez, o acordo passou a incluir também uniformes de treino, agasalhos e roupas de viagem.
Apesar da valorização, o Flamengo seguia recebendo menos que outros grandes clubes brasileiros. Naquele ano, a revista Placar apontava que o Corinthians faturava US$ 780 mil anuais da Kalunga, enquanto o São Paulo recebia US$ 1,32 milhão da TAM.
A própria diretoria rubro-negra reconhecia a defasagem. O diretor de marketing do clube afirmava que a verba da Petrobras Distribuidora era semelhante à recebida da Umbro e inferior ao contrato firmado com a Brahma para outras propriedades comerciais.
Ao mesmo tempo, o clube via sua situação financeira se deteriorar. Entre 1992 e 1994, as dívidas praticamente triplicaram, passando de US$ 8,5 milhões para US$ 24,5 milhões.

2004: o ano em que o Flamengo exibiu a Lubrax sem receber
O momento mais delicado da parceria aconteceu em 2004. Uma decisão judicial impediu o repasse da verba de patrocínio em razão das dívidas fiscais do Flamengo, fazendo com que o clube passasse toda a temporada estampando a marca Lubrax na camisa sem receber qualquer valor da Petrobras Distribuidora.

2006 a 2009: mudanças na camisa e o fim da parceria
Em 2006, a Lubrax deixou o espaço principal da camisa para dar lugar ao Cartão Petrobras, sendo deslocada para a manga do uniforme. Dois anos depois, voltou à parte frontal.
A despedida aconteceu em 31 de março de 2009, na vitória por 1 a 0 sobre o Americano, em Campos dos Goytacazes. Dias depois, o Flamengo anunciou unilateralmente o encerramento da parceria, alegando dificuldades recorrentes para receber os pagamentos em razão das pendências fiscais com o governo federal. Um novo contrato, avaliado em R$ 14 milhões, chegou a ser negociado, mas nunca foi assinado.

2026: o reencontro de Flamengo e Lubrax
Dezessete anos depois do fim da parceria, Flamengo e Lubrax voltam a caminhar juntos. O novo contrato já nasce em um contexto completamente diferente: a marca agora pertence à Vibra Energia, empresa privada que sucedeu a antiga BR Distribuidora, e retorna ao uniforme rubro-negro com um investimento superior ao pago pelo patrocinador anterior do mesmo espaço na camisa.
Mais do que o retorno de um patrocinador, o acordo representa o reencontro entre o Flamengo e uma das marcas mais icônicas de sua história, presente em algumas das maiores conquistas do clube e ainda hoje lembrada como a parceria mais longeva do futebol brasileiro.
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