A liderança isolada do ranking de valor de mercado nacional pertence ao Flamengo, que consolidou sua posição de maior potência econômica do futebol brasileiro. O Rubro-Negro destaca-se como o único clube do país a superar a marca de R$ 4,5 bilhões.
Inversamente, a realidade da elite nacional apresenta um cenário drástico na 17ª edição do Relatório Convocados. Uma forte disparidade orçamentária atinge o país, visto que a gestão superavitária do Flamengo contrasta com o resto do mercado. Os custos operacionais das demais equipes da Série A engoliram 108% das receitas recorrentes do setor em 2025.
Esta porcentagem significa que a operação diária da maioria dos clubes é deficitária. O futebol nacional depende altamente de fatores sazonais para fechar o balanço anual, tendo a venda de direitos econômicos de atletas como principal fonte de sobrevivência.
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A expansão financeira global do futebol brasileiro movimentou R$ 14,3 bilhões em 2025. Este montante representa um crescimento real de 32% em comparação com o ano anterior. O relatório adverte, contudo, que a maior parte desse avanço deriva de rubricas não recorrentes.
As premiações, infladas por quatro clubes que disputaram a Copa do Mundo de Clubes, atingiram R$ 1,6 bilhão. Outro fator extraordinário foram as transferências de jogadores, que somaram R$ 3,9 bilhões e geraram uma alta de 63% em relação a 2024.
Bilhões em movimento ocultam crise estrutural
A expansão financeira global do futebol brasileiro movimentou R$ 14,3 bilhões em 2025. Este montante representa um crescimento real de 32% em comparação com o ano anterior. O relatório adverte, contudo, que a maior parte desse avanço deriva de rubricas não recorrentes.
As premiações, infladas por quatro clubes que disputaram a Copa do Mundo de Clubes, atingiram R$ 1,6 bilhão. Outro fator extraordinário foram as transferências de jogadores, que somaram R$ 3,9 bilhões e geraram uma alta de 63% em relação a 2024.
Sem esses efeitos extraordinários, a receita recorrente da elite totalizou R$ 9,5 bilhões no período. Na outra ponta, o endividamento consolidado avançou para R$ 17,3 bilhões. Tal salto é reflexo direto do investimento agressivo de R$ 4,4 bilhões em elencos.
Desafiador é o cenário para o equilíbrio das contas. A aplicação imediata de regras rígidas de sustentabilidade financeira traria punições graves e resultaria na reprovação imediata de nove equipes da primeira divisão.
Bets e sócio-torcedor sustentam o mercado
A marca de R$ 3,1 bilhões foi atingida pelas receitas comerciais da Série A, um crescimento de 36%. O levantamento expõe a dependência do setor de apostas, que injeta R$ 1,03 bilhão na elite via patrocínios. Desse montante, o Flamengo crava o maior contrato do país ao receber R$ 268 milhões anuais da Betano.
No segmento de mídia, o novo ciclo de direitos de transmissão (2025 a 2029) valorizou a base da competição. O modelo elevou o piso de receita de TV para R$ 93 milhões por clube, o que representa mais que o dobro dos R$ 44 milhões registrados em 2024.
O engajamento do público em 2025 gerou um marco histórico: os programas de sócio-torcedor superaram a arrecadação bruta de bilheteria no país. Os planos de fidelização registraram R$ 877 milhões, enquanto a venda de ingressos nas arquibancadas somou R$ 847 milhões.
O abismo econômico entre o Flamengo e os rivais
Análises da consultoria EY e do Relatório Convocados evidenciam como o Flamengo funciona como um ponto fora da curva que distorce os índices da Série A. Enquanto Grafietti estipula o valor de mercado do clube acima de R$ 4,5 bilhões, as auditorias da EY apontam o valuation na casa dos R$ 5 bilhões.
O Rubro-Negro faturou sozinho R$ 322 milhões em matchday, quase o equivalente a toda a arrecadação da Série A junta em programas de fidelidade.
O papel do Flamengo como contrapeso econômico fica nítido no gerenciamento do endividamento. O cenário geral da Série A é alarmante, com a dívida consolidada saltando para R$ 17,3 bilhões, o que resultaria na reprovação imediata de nove clubes da primeira divisão caso regras rígidas de sustentabilidade financeira fossem aplicadas imediatamente.
Na contramão do mercado, o Flamengo opera com um índice de endividamento líquido de apenas 0,42 em relação à sua receita total. O Mengão integra o restrito grupo de apenas seis equipes da elite que mantêm suas obrigações financeiras e passivos de curto prazo consistentemente abaixo do faturamento anual.
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