segunda-feira, maio 4
Banner do colunista João Luis Jr

É preciso muita inocência ou bastante cinismo para negar a influência do futebol na política e da política no futebol.

Conquistas esportivas ajudam a validar regimes e eleger candidatos, da mesma maneira que políticos associam sua imagem a clubes e jogadores e a própria infraestrutura do esporte pode servir como moeda de troca no jogo eleitoral – “a gente sabe que seu estado não tem time na primeira divisão, mas que tal um estádio com capacidade para 80 mil torcedores?”.

Diante desse cenário é fácil perceber que instituições esportivas, ainda mais as de grande porte, tem sim muito poder para influenciar os rumos da sociedade. Seja o posicionamento de diversos clubes, como o Corinthians, a favor das Diretas durante o período da ditadura, seja manifestações mais recentes de várias instituições esportivas contra posturas criminosas como o racismo e a homofobia.

E uma pauta muito importante dos tempos atuais, e que parece ter sido fortemente encampada pelo atual elenco rubro-negro é a da redução da jornada máxima de horas do trabalhador brasileiro, que hoje é de seis dias trabalhados para um de folga, mas por conta da mobilização de diversos atores políticos, pode vir a ser reduzida ao 5/2, permitindo aos empregados mais tempo para lazer, famílias e outras atividades.

O problema é que, por mais positiva que seja a pauta, a decisão do Flamengo de atuar por apenas 60 minutos e passar os outros 30 apenas passeando pelo campo pode não ter sido a maneira mais inteligente de contribuir com a causa, ainda mais se você levar em consideração o dano psicológico causado aos assalariados rubro-negros.

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Afinal, que outra explicação além da solidariedade entre trabalhadores pode existir para os dois gols que nossa defesa deu para o time adversário?

O recuo absurdo da equipe rubro-negra, que decidiu se trancar na própria área quando poderia buscar o terceiro gol e matar o jogo, não é a versão esportiva do chamado “quiet quitting”, onde os empregados realizam apenas o mínimo, sem esforço algum?

A postura de Wallace Yan no clássico não reflete a desilusão dos jovens com a vida de CLT,  já que jogando desse jeito logo logo ele vai virar autônomo por aí?

Porque se não existir algum simbolismo, se não existir alguma camada de significado que não entendemos, tudo que sobra é o Flamengo de Leonardo Jardim jogando dois pontos no lixo da maneira mais burra, lamentável e patética possível.

Um jogo onde abrimos 2×0, onde poderíamos tranquilamente ter mantido a pressão e ampliado o placar, mas preferimos abrir mão da posse de bola, recuar de maneira bizarra e perder a chance de reduzir a distância que existe entre nós e os líderes do campeonato.

Presenciamos falta de eficiência no ataque, erros infantis nos passes do meio de campo e algumas falhas grotescas e injustificáveis na defesa, ainda mais se levarmos em consideração que temos dois zagueiros que já foram convocados pra Seleção.

Se o principal medo para essa partida era como o Flamengo se sairia sem um meia de ofício na articulação, acabamos descobrindo que complicado mesmo é jogar boa parte do segundo tempo sem um pingo de vergonha na cara. O rubro-negro, assalariado ou não, não merecia um domingo desses.


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