José Boto, diretor de futebol do Flamengo, se posicionou contra a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros no Brasileirão. A mudança foi aprovada pelos clubes nesta segunda-feira (21) e começará a valer em 2027.
Atualmente, cada equipe pode relacionar até nove estrangeiros por partida. O novo modelo prevê a redução para oito já na próxima temporada e seguirá diminuindo até chegar ao limite de cinco jogadores em 2030.
Flamengo e Bahia foram os únicos clubes que votaram contra a proposta. O Rubro-Negro conta atualmente com dez estrangeiros no elenco e, mesmo pelas regras atuais, precisa deixar ao menos um fora da relação quando todos estão disponíveis.
Para Boto, no entanto, a discussão vai além do impacto direto no planejamento do Flamengo. O dirigente entende que a medida pode diminuir o nível técnico do próprio Brasileirão.
“Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai por a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai abaixar a qualidade da liga brasileira”, afirmou ao ‘Coluna do Fla’.
A CBF defende a mudança como forma de ampliar as oportunidades para jogadores formados no Brasil. A entidade entende que o crescimento da presença de estrangeiros mais experientes nos últimos anos reduziu o espaço destinado aos atletas mais jovens.
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Marcos Motta defende outro modelo para proteger jogadores formados no Brasil
Vice-presidente de Administração do Flamengo, Marcos Motta também reforçou a posição contrária à redução. Falando como advogado especializado, o dirigente citou o modelo adotado na Premier League e argumentou que existem outras maneiras de proteger a formação local.
“Acho que isso não engrandece o produto, acho que existem outras maneiras de se proteger o mercado local. Essa não é uma discussão nova, é uma discussão que já acontece há muito tempo, inclusive a nível europeu. A Premier League tem as regras dela, o que eles chamam de ‘Home-grown Player‘”.
“Você tem uma limitação de 25 atletas seniores, sendo que 17 podem ser acima de 25 anos. A diferença tem que ser de jogadores formados, mas não importa a nacionalidade, importa o tempo de formação”, afirmou à ESPN.
O vice-presidente acredita que o tema seguirá em debate nos próximos meses, inclusive entre clubes e profissionais ligados ao direito esportivo.
“Acho que esse debate tem que ficar vivo. Acho que essa proposta, essa discussão de ontem não deve terminar ali, eu acho que ela deve seguir. E pela conversa que eu tenho tido desde ontem com colegas, enfim, de clubes e advogados também que militam na área, eu acredito que essa agenda vai continuar viva nos próximos dias ou nos próximos meses.”
Boto também quer fim do limite de jogos para transferências
José Boto aproveitou para defender outra mudança no regulamento do Brasileirão. Atualmente, um jogador que completa 12 partidas por um clube não pode atuar por outra equipe na mesma edição da Série A.
O dirigente considera que o mecanismo limita as negociações dentro do próprio futebol brasileiro e acaba favorecendo a saída de recursos para outros mercados.
“Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro”, disse.
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